Como acondicionamos o mundo em palavras? Nesse capítulo Latour nos instiga a pensar sobre a transformação em palavras desse imenso cenário que nos rodeia: o mundo. Analisando os detalhes da prática científica mostra que os cientistas só conseguem estudar e entender o mundo se ele estiver sob a forma de inscrições. Isso me faz pensar no paradoxal conhecimento que hoje temos ao alcance das mãos. A um simples clique temos acesso a qualquer assunto, sem precisar decorar fórmulas e teorias. Ser inteligente hoje é saber pesquisar no Google! Mas quão efêmero é esse conhecimento? Basta uma queda no fornecimento de energia para ficarmos literal e metaforicamente às escuras. Latour nos lembra que o conhecimento circula ao longo de uma cadeia e que ele pode ser rastreado. Mas também nos faz entender como estamos vinculados a um mundo alinhado, transformado e construído por diferentes disciplinas que falam de modo muito diverso. Isso nos obriga a dominarmos ao mesmo tempo um conhecimento específico e amplo. Local e global. Que sejamos híbridos!
Pensamentos circulam ou deixam de circular, alguns permitem o acesso, outros não. O acesso ao “conhecimento” difere de sociedade para sociedade, o acesso é heterogêneo. O conhecimento tem uma dimensão social, crenças e tradições embutidas, relações de poder. Os textos científicos vêm carregados de normas , toda uma dimensão social, regras, relações de poder, quase uma tensão, uma competição para permanecer no mainstream da ciência. Para quem ele está direcionado? com que propósito ele foi escrito? Quando foi escrito? Penso em como tudo está conectado, em como as instituições, e aí coloco as diferentes disciplinas que cada uma delas traz, não conseguem se isolar completamente em seus círculos de conhecimentos e práticas. Os textos circulam de maneira diferentes, encontram diferentes leitores, com diferentes formações e interesses. E por mais que exista uma barreira financeira para que os textos circulem livremente, hoje é quase impossível vedar o acesso. Mas, mesmo se as barreiras financeiras e legais caiam ou sejam derrubadas, ainda teremos um problema de linguagem. A quem interessa que todos entendam o que está escrito?
Reação do capítulo 2: " A única maneira de compreender a realidade dos estudos científicos é acompanhar o que eles fazem de melhor". O texto narra um expedição para coleta e estudo do solo da floresta amazônica na cidade de Boa vista capital do Estado de Roraima. Latour se coloca de fora do trabalho, um espectador astuto e nem um pouco passivo. Ele constrói seu argumento antropológico através de personagens da expedição, suas áreas de pesquisa e visões sobre o grande dilema do trabalho: O cerrado está avançando na floresta amazônica ou é o contrário? Este debate vai dividir opiniões. Além disso, Latour em seu artigo faz questionamentos interessantes, como por exemplo: uma crítica aos padrões e convenções onde afirma que os cientistas só dominam o mundo, mas desde que o mundo venha sobre forma de "inscrições" bidimensionais, superpostas e combinadas. Outra percepção interessante de Latour é quando ele se depara no laboratório de botânica de Edileusa e assim como na política é possível representar o todo através de um pequena amostra. Latour tem contato com um instrumento fundamental para os pedólogos que é o Topofil Chaix que foi apelidado pelos brasileiros de "pedofil" e em suas palavras o compara com o fio lançado por Ariadne a Teseu para que o mesmo possa sair do labirinto do minotauro. Logo, para Latour a Floresta Amazônica é um grande labirinto. Por último, destaco ao contrário do que foi exposto em aula que Latour não foi preconceituoso com a botânica brasileira Edileusa. Muito pelo contrário! Ele o cita 23 vezes o seu nome e a elogia em diversos momentos. Mostrando sua sensibilidade e respeito com a pesquisadora brasileira.
O capítulo 2 Reações Amostragem do solo da floresta Amazônica.
Pode-se observar novamente a tendência, do autor, em criar um ambiente de confronto no ambiente científico em questão, onde se lê no texto: “Estará a floresta avançando, como o Bosque de Birnam em direção a Dunsinane, ou recuando?”. Entretanto, para que se possa responder a esse questionamento, foi necessário criar um ambiente de pesquisa de campo, onde a observação era um fator importante. Essa prática, a partir do método científico, de certa forma engessa os pesquisadores, pois, devem seguir a métodos determinados. Por outro lado, pela facilidade do processo da globalização, consultar a registros anteriores, efetuar conversões ou transformações de registros, vide Durval em seus estudos de representações semióticas, podendo ratificá-las, enriquecê-las ou, até mesmo, retificá-las. Dessa forma, retornando às informações iniciais para reafirmá-las ou não, caracterizando o aspecto de referência circular.
O autor Bruno Latour durante o capitulo por diversas vezes apresentou problemas da pesquisa na relação texto mundo real, quando ele compara a ciência a uma obra de arte realista, questionou o fato que a pesquisa do solo não representava uma xerox do mundo real, o trabalho realizado nunca seria uma foto do mundo real. No decorre da pesquisa mostra diversas fases aonde vinculam-nos a um mundo linear, transformado, construído. Essa reflexão me fez lembrar uma charge que compara o mundo cartesiano ao mundo em coordenadas polares, trazendo para pesquisa o autor, comparando a grosso modo tentou mostrar que as ciências nas diversas sociedades sofrem diversas transformações polares aonde o lugar e o ângulo de visão podem influenciar no resultado da pesquisa.
O autor explica qual foi o experimento que acompanhou e analisou, os aspectos e pessoas envolvidos no mesmo. O autor explica a importância do contexto na pesquisa científica; o contexto é necessário em qualquer situação: para que determinada ação/objeto faça sentido, é necessário que haja contexto, de forma que seu significado possa ser inscrito pelos e nos sujeitos envolvidos. Achei muito interessante e importante a afirmação na p.46: "as ciências não falam do mundo, mas constroem representações que ora parecem empurra-lo para longe, ora trazê-lo para perto." Um item interessante é que as amostras, os elementos da natureza, tornam-se testemunhas de alta confiabilidade relacionadas ao que os pesquisadores afirmam em seus trabalhos. Entendo que estes elementos não-humanos tornam-se testemunhas dos humanos e do conhecimento que intentam produzir, como segue na p.63: “obrigados a manter a todo custo e com um mínimo de deformação a rastreabilidade dos dados que produzimos”. Também julguei importante o autor chamar atenção para a descontinuidade na produção do conhecimento científico, indicando que este necessariamente é uma sequência de etapas descontinuadas e intermediárias, que incluem nelas repetidas e sequenciais adaptações de um meio concreto em direção ao outro. Paradoxalmente, explicita que também há continuidade, já que representam a transição e a “tradução” da natureza para o “conhecimento”. O autor finaliza o capítulo explicando seu conceito de referência circulante como sendo o conteúdo ou conceito científico que, a partir do geral pode se chegar ao específico, e vice-versa usando as mesmas referências, porém em sentidos inversos.
O capítulo 2, Referência Circulante, me levou a um erro de interpretação do título. Interpretei o circulante como algo que ficasse em círculos, como se voltasse sempre ao ponto de partida, ou como se não saísse do lugar. Claro que eu não poderia estar mais errado. Este capítulo está ligado ao conceito de móveis imutáveis, as grandes expedições, aos grandes museus, aos grandes laboratórios, aos grandes catálogos, que colecionam e catalogam a natureza em seus arquivos e caixas e armários e gavetas e bits e bytes para que seus pesquisadores em impolutos jalecos brancos e mãos limpas e assépticas possam estudá-las com todo o conforto em salas climatizadas. Me lembra, também, as centrais de cálculo, produto deste mundo asséptico. Referência circulante então são todas estas peças que são coletadas na floresta, catalogadas por meio de algum procedimento ou técnica padronizada para que possa ser produzido um relatório que irá circular entre os pesquisadores pares, a comunidade científica, para que provoque o interesse no aprofundamento da pesquisa, no aporte de recursos, em uma volta a floresta. Talvez eu não estivesse de todo errado com a minha interpretação de circulante. Fica a curiosidade em saber sobre a Edileusa, se ela assinou o artigo, se ela ainda pesquisa a região, qual o ponto de vista dela em relação aos visitantes, em relação aos procedimentos, à pesquisa. Seria interessante ter uns dois dedos de prosa com ela.
No capítulo 2 o autor nos apresenta uma expedição realizada à Floresta Amazônica composta por uma equipe de cientistas de diversas áreas, todos da área de estudos da Natureza, exceto ele, que é antropólogo, que resolveu participar desse estudo de campo para estudar empiricamente a questão epistemológica da referência científica. O ponto em questão é um cenário onde apresenta uma savana ao lado de uma floresta mais densa, e a partir daí dois pesquisadores divergem de opinião, um acha que a savana avança pela floresta e o outro o contrário. Em um trabalho de campo dessa complexidade a organização é fundamental, e a identificação das amostras facilita a guarda, consultas e novos ensaios, e garante as informações coletadas, independente da memória dos cientistas. Destaco também a dependência das ciências, quando uma vai “beber na fonte” da outra para resolver os seus problemas, como quando a pedologia utilizou a agrimensura para realizar com uma maior precisão os seus buracos. Estabelecer e seguir protocolos também contribuem com a compatibilidade e comparabilidade das amostras, que podem auxiliar, como por exemplo, na análise das cores pelo código Mansell, mas em outros casos, como na análise das texturas, somente a experiência acumulada dos pesquisadores pode definir uma boa análise. Outro ponto que me chamou a atenção foi a importância do Diagrama, que não apenas demonstra a distribuição do fluxo temporal e a ordem hierárquica, mas ajuda a mostrar aspectos que podem estar em nossa frente, mas não vemos. A complexidade de um estudo científico de campo é capaz de produzir frutos tanto para ciências naturais como as sociais.
As ciências nos falam do mundo ao construir representações que podem ser construídas através de diferentes visões. Visões essas que podem variar cognitivamente e (in)disciplinarmente interferindo em todos os processos de vida, em específico neste texto no que se refere à área de pesquisas.
Neste capítulo o autor nos mostra como a ciência atua a partir da utilização de recursos de construção no desenvolvimento de uma pesquisa, mas vai além, pois nos mostra que para que tenha êxito é importante que ela seja vivenciada, documentada e mais do que isso, mostra a profundidade de uma pesquisa quando existe um engajamento e vivenciando e distanciando-se o pesquisador consegue identificar verdadeiramente os aspectos de seu trabalho.
ESTUDOS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE Aluno: Mario Afonso da Silveira Barbosa Reação ao capítulo 2 do livro “A Esperança de Pandora”
Neste interessante capítulo, Latour trata do que ele considera ser a “única maneira de compreender a realidade dos Estudos de Ciência”. E qual seria então essa maneira, pensei eu? Ele responde prontamente: “acompanhar o que esses estudos fazem de melhor, ou seja, prestar atenção aos detalhes da prática científica.” Para isso, ele acompanhou, como observador, uma botânica brasileira, um pedólogo francês e uma geomorfologista brasileira em uma expedição científica à floresta amazônica. O objetivo era estudar amostras do solo da região do encontro da floresta com o cerrado para descobrir se a floresta estava entrando no cerrado ou vice-versa. Latour descreve com tantos detalhes tudo que ocorreu durante essa expedição, que me fez sentir como se também estivesse participando in loco. Nesse estudo ele também discutiu sobre o modo de “acondicionamento do mundo em palavras”. Seu posicionamento é que não há correspondência, nem tampouco lacunas entre natureza e linguagem; não sendo esses, também, dois domínios ontológicos distintos, mas um fenômeno inteiramente diverso que ele denomina referência circulante. Portanto, referência circulante significa a série de transformações sofridas pelas coisas ao serem trabalhadas pelos cientistas. A referência “circula” no sentido de que ela se move para frente e para trás ao longo dessa cadeia de mediações e de transformações.
Amostragem do solo da floresta Amazônica Referência circulante
Neste capítulo, Latour participa ativamente e detalhadamente de um processo científico, e mais especificamente de uma prática científica a qual ele dá o nome de referência circulante. Em oposição, ele critica a filosofia e a ciência que estabelecem uma correspondência entre mundo (extremidade de material) e linguagem (extremidade formal) através de um hiato, abstrato e saltatório. Segundo ele, trata-se de uma visão canônica e os fenômenos não são o limite entre a coisa em si e um ego transcendental. E diz: “as ciências não falam do mundo, mas constroem representações que ora parecem empurra-lo para longe, ora traze-lo para perto”. Seu estudo da técnica da ciência (e tecnociência) identifica uma situação, descreve uma equipe, que lança hipóteses, e detalha minuciosamente cada etapa do trabalho, formando uma cadeia de elementos, onde dentro de cada elo há a transformação da matéria em forma, desenhando sucessivas camadas de transformações. Não pode haver ruptura entre coisas e signos. Esta é a referência circulante. A produção da certeza também é produzida pelos protolaboratórios e laboratórios de vários tipos (“é que, para tornar-se reconhecível, o mundo precisa transformar-se em laboratório”). Se por um lado, ao longo da evolução desta cadeia, temos uma redução (localidade, particularidade, multiplicidade, materialidade), por outro, obtemos uma ampliação (compatibilidade, padronização, texto, cálculo, universalidade relativa, cores, diagramas). O estudo e a pesquisa acabam não sendo conclusivos. A hipótese mais plausível, relativa às minhocas e suas fezes, não pôde ser comprovada. Uma nova expedição deverá ser organizada e os pesquisadores deverão retornar. Talvez devesse participar da próxima equipe um biólogo ou um zoólogo...
Nesse extenso segundo capítulo, Latour trata do que ele considera ser “ a única maneira de compreender a realidade dos Science Studies”. Para tanto, segue o que esses estudos “fazem de melhor” (segundo o autor) ou seja, presta atenção aos detalhes da prática científica. No caso examinado, ele acompanha ( bem de perto) pedólogos, antropólogos, botânicos, geomorfologistas em uma expedição científica à floresta amazônica, dando prosseguimento à discussão relativa ao que refere ser o modo de “acondicionamento do mundo em palavras”. Seu posicionamento é de que não há correspondência, nem tampouco lacunas entre natureza e linguagem: não sendo esses, também, dois domínios ontológicos distintos, mas um fenômeno inteiramente diverso que ele denominava referência circulante.
Como acondicionamos o mundo em palavras? Nesse capítulo Latour nos instiga a pensar sobre a transformação em palavras desse imenso cenário que nos rodeia: o mundo. Analisando os detalhes da prática científica mostra que os cientistas só conseguem estudar e entender o mundo se ele estiver sob a forma de inscrições.
ResponderExcluirIsso me faz pensar no paradoxal conhecimento que hoje temos ao alcance das mãos. A um simples clique temos acesso a qualquer assunto, sem precisar decorar fórmulas e teorias. Ser inteligente hoje é saber pesquisar no Google! Mas quão efêmero é esse conhecimento? Basta uma queda no fornecimento de energia para ficarmos literal e metaforicamente às escuras.
Latour nos lembra que o conhecimento circula ao longo de uma cadeia e que ele pode ser rastreado. Mas também nos faz entender como estamos vinculados a um mundo alinhado, transformado e construído por diferentes disciplinas que falam de modo muito diverso. Isso nos obriga a dominarmos ao mesmo tempo um conhecimento específico e amplo. Local e global. Que sejamos híbridos!
Pensamentos circulam ou deixam de circular, alguns permitem o acesso, outros não. O acesso ao “conhecimento” difere de sociedade para sociedade, o acesso é heterogêneo. O conhecimento tem uma dimensão social, crenças e tradições embutidas, relações de poder.
ResponderExcluirOs textos científicos vêm carregados de normas , toda uma dimensão social, regras, relações de poder, quase uma tensão, uma competição para permanecer no mainstream da ciência. Para quem ele está direcionado? com que propósito ele foi escrito? Quando foi escrito? Penso em como tudo está conectado, em como as instituições, e aí coloco as diferentes disciplinas que cada uma delas traz, não conseguem se isolar completamente em seus círculos de conhecimentos e práticas. Os textos circulam de maneira diferentes, encontram diferentes leitores, com diferentes formações e interesses. E por mais que exista uma barreira financeira para que os textos circulem livremente, hoje é quase impossível vedar o acesso. Mas, mesmo se as barreiras financeiras e legais caiam ou sejam derrubadas, ainda teremos um problema de linguagem. A quem interessa que todos entendam o que está escrito?
Para ver a apresentação do Capítulo 2, clique no link: https://drive.google.com/open?id=1fQ0MdCikk2_OiOQUyP8zaPw6QjJ8KEvX
ResponderExcluirReação do capítulo 2: " A única maneira de compreender a realidade dos estudos científicos é acompanhar o que eles fazem de melhor". O texto narra um expedição para coleta e estudo do solo da floresta amazônica na cidade de Boa vista capital do Estado de Roraima. Latour se coloca de fora do trabalho, um espectador astuto e nem um pouco passivo. Ele constrói seu argumento antropológico através de personagens da expedição, suas áreas de pesquisa e visões sobre o grande dilema do trabalho: O cerrado está avançando na floresta amazônica ou é o contrário? Este debate vai dividir opiniões.
ResponderExcluirAlém disso, Latour em seu artigo faz questionamentos interessantes, como por exemplo: uma crítica aos padrões e convenções onde afirma que os cientistas só dominam o mundo, mas desde que o mundo venha sobre forma de "inscrições" bidimensionais, superpostas e combinadas. Outra percepção interessante de Latour é quando ele se depara no laboratório de botânica de Edileusa e assim como na política é possível representar o todo através de um pequena amostra. Latour tem contato com um instrumento fundamental para os pedólogos que é o Topofil Chaix que foi apelidado pelos brasileiros de "pedofil" e em suas palavras o compara com o fio lançado por Ariadne a Teseu para que o mesmo possa sair do labirinto do minotauro. Logo, para Latour a Floresta Amazônica é um grande labirinto. Por último, destaco ao contrário do que foi exposto em aula que Latour não foi preconceituoso com a botânica brasileira Edileusa. Muito pelo contrário! Ele o cita 23 vezes o seu nome e a elogia em diversos momentos. Mostrando sua sensibilidade e respeito com a pesquisadora brasileira.
O capítulo 2
ResponderExcluirReações
Amostragem do solo da floresta Amazônica.
Pode-se observar novamente a tendência, do autor, em criar um ambiente de confronto no ambiente científico em questão, onde se lê no texto: “Estará a floresta avançando, como o Bosque de Birnam em direção a Dunsinane, ou recuando?”. Entretanto, para que se possa responder a esse questionamento, foi necessário criar um ambiente de pesquisa de campo, onde a observação era um fator importante. Essa prática, a partir do método científico, de certa forma engessa os pesquisadores, pois, devem seguir a métodos determinados. Por outro lado, pela facilidade do processo da globalização, consultar a registros anteriores, efetuar conversões ou transformações de registros, vide Durval em seus estudos de representações semióticas, podendo ratificá-las, enriquecê-las ou, até mesmo, retificá-las. Dessa forma, retornando às informações iniciais para reafirmá-las ou não, caracterizando o aspecto de referência circular.
O autor Bruno Latour durante o capitulo por diversas vezes apresentou problemas da pesquisa
ResponderExcluirna relação texto mundo real, quando ele compara a ciência a uma obra de arte realista,
questionou o fato que a pesquisa do solo não representava uma xerox do mundo real, o
trabalho realizado nunca seria uma foto do mundo real. No decorre da pesquisa mostra
diversas fases aonde vinculam-nos a um mundo linear, transformado, construído. Essa reflexão
me fez lembrar uma charge que compara o mundo cartesiano ao mundo em coordenadas
polares, trazendo para pesquisa o autor, comparando a grosso modo tentou mostrar que as
ciências nas diversas sociedades sofrem diversas transformações polares aonde o lugar e o
ângulo de visão podem influenciar no resultado da pesquisa.
Para verem a apresentação do capítulo 2, entrem no link https://drive.google.com/open?id=1KOFLHvGQWnpHPMEnmsSCLfqJJTeAmRdL06UREYOp8Y0
ResponderExcluirO autor explica qual foi o experimento que acompanhou e analisou, os aspectos e pessoas envolvidos no mesmo.
ResponderExcluirO autor explica a importância do contexto na pesquisa científica; o contexto é necessário em qualquer situação: para que determinada ação/objeto faça sentido, é necessário que haja contexto, de forma que seu significado possa ser inscrito pelos e nos sujeitos envolvidos.
Achei muito interessante e importante a afirmação na p.46: "as ciências não falam do mundo, mas constroem representações que ora parecem empurra-lo para longe, ora trazê-lo para perto."
Um item interessante é que as amostras, os elementos da natureza, tornam-se testemunhas de alta confiabilidade relacionadas ao que os pesquisadores afirmam em seus trabalhos. Entendo que estes elementos não-humanos tornam-se testemunhas dos humanos e do conhecimento que intentam produzir, como segue na p.63: “obrigados a manter a todo custo e com um mínimo de deformação a rastreabilidade dos dados que produzimos”.
Também julguei importante o autor chamar atenção para a descontinuidade na produção do conhecimento científico, indicando que este necessariamente é uma sequência de etapas descontinuadas e intermediárias, que incluem nelas repetidas e sequenciais adaptações de um meio concreto em direção ao outro. Paradoxalmente, explicita que também há continuidade, já que representam a transição e a “tradução” da natureza para o “conhecimento”. O autor finaliza o capítulo explicando seu conceito de referência circulante como sendo o conteúdo ou conceito científico que, a partir do geral pode se chegar ao específico, e vice-versa usando as mesmas referências, porém em sentidos inversos.
O capítulo 2, Referência Circulante, me levou a um erro de interpretação do título. Interpretei o circulante como algo que ficasse em círculos, como se voltasse sempre ao ponto de partida, ou como se não saísse do lugar. Claro que eu não poderia estar mais errado. Este capítulo está ligado ao conceito de móveis imutáveis, as grandes expedições, aos grandes museus, aos grandes laboratórios, aos grandes catálogos, que colecionam e catalogam a natureza em seus arquivos e caixas e armários e gavetas e bits e bytes para que seus pesquisadores em impolutos jalecos brancos e mãos limpas e assépticas possam estudá-las com todo o conforto em salas climatizadas. Me lembra, também, as centrais de cálculo, produto deste mundo asséptico.
ResponderExcluirReferência circulante então são todas estas peças que são coletadas na floresta, catalogadas por meio de algum procedimento ou técnica padronizada para que possa ser produzido um relatório que irá circular entre os pesquisadores pares, a comunidade científica, para que provoque o interesse no aprofundamento da pesquisa, no aporte de recursos, em uma volta a floresta. Talvez eu não estivesse de todo errado com a minha interpretação de circulante.
Fica a curiosidade em saber sobre a Edileusa, se ela assinou o artigo, se ela ainda pesquisa a região, qual o ponto de vista dela em relação aos visitantes, em relação aos procedimentos, à pesquisa. Seria interessante ter uns dois dedos de prosa com ela.
No capítulo 2 o autor nos apresenta uma expedição realizada à Floresta Amazônica composta por uma equipe de cientistas de diversas áreas, todos da área de estudos da Natureza, exceto ele, que é antropólogo, que resolveu participar desse estudo de campo para estudar empiricamente a questão epistemológica da referência científica. O ponto em questão é um cenário onde apresenta uma savana ao lado de uma floresta mais densa, e a partir daí dois pesquisadores divergem de opinião, um acha que a savana avança pela floresta e o outro o contrário. Em um trabalho de campo dessa complexidade a organização é fundamental, e a identificação das amostras facilita a guarda, consultas e novos ensaios, e garante as informações coletadas, independente da memória dos cientistas. Destaco também a dependência das ciências, quando uma vai “beber na fonte” da outra para resolver os seus problemas, como quando a pedologia utilizou a agrimensura para realizar com uma maior precisão os seus buracos. Estabelecer e seguir protocolos também contribuem com a compatibilidade e comparabilidade das amostras, que podem auxiliar, como por exemplo, na análise das cores pelo código Mansell, mas em outros casos, como na análise das texturas, somente a experiência acumulada dos pesquisadores pode definir uma boa análise. Outro ponto que me chamou a atenção foi a importância do Diagrama, que não apenas demonstra a distribuição do fluxo temporal e a ordem hierárquica, mas ajuda a mostrar aspectos que podem estar em nossa frente, mas não vemos. A complexidade de um estudo científico de campo é capaz de produzir frutos tanto para ciências naturais como as sociais.
ResponderExcluirA reação acima foi registrada por George Gama.
ExcluirAs ciências nos falam do mundo ao construir representações que podem ser construídas através de diferentes visões. Visões essas que podem variar cognitivamente e (in)disciplinarmente interferindo em todos os processos de vida, em específico neste texto no que se refere à área de pesquisas.
ResponderExcluirNeste capítulo o autor nos mostra como a ciência atua a partir da utilização de recursos de construção no desenvolvimento de uma pesquisa, mas vai além, pois nos mostra que para que tenha êxito é importante que ela seja vivenciada, documentada e mais do que isso, mostra a profundidade de uma pesquisa quando existe um engajamento e vivenciando e distanciando-se o pesquisador consegue identificar verdadeiramente os aspectos de seu trabalho.
ESTUDOS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE
ResponderExcluirAluno: Mario Afonso da Silveira Barbosa
Reação ao capítulo 2 do livro “A Esperança de Pandora”
Neste interessante capítulo, Latour trata do que ele considera ser a “única maneira de compreender a realidade dos Estudos de Ciência”. E qual seria então essa maneira, pensei eu? Ele responde prontamente: “acompanhar o que esses estudos fazem de melhor, ou seja, prestar atenção aos detalhes da prática científica.” Para isso, ele acompanhou, como observador, uma botânica brasileira, um pedólogo francês e uma geomorfologista brasileira em uma expedição científica à floresta amazônica. O objetivo era estudar amostras do solo da região do encontro da floresta com o cerrado para descobrir se a floresta estava entrando no cerrado ou vice-versa. Latour descreve com tantos detalhes tudo que ocorreu durante essa expedição, que me fez sentir como se também estivesse participando in loco.
Nesse estudo ele também discutiu sobre o modo de “acondicionamento do mundo em palavras”. Seu posicionamento é que não há correspondência, nem tampouco lacunas entre natureza e linguagem; não sendo esses, também, dois domínios ontológicos distintos, mas um fenômeno inteiramente diverso que ele denomina referência circulante. Portanto, referência circulante significa a série de transformações sofridas pelas coisas ao serem trabalhadas pelos cientistas. A referência “circula” no sentido de que ela se move para frente e para trás ao longo dessa cadeia de mediações e de transformações.
Olhem aí link para o vídeo da Maria Verônica com sua reação ao capítulo 2:
ResponderExcluirhttps://drive.google.com/file/d/1B3FxC_7le3cyIN_zsPSIHM3fkSeR7IOH/view?usp=sharing
Avisem-nos se conseguirem assistir numa boa
Amostragem do solo da floresta Amazônica
ResponderExcluirReferência circulante
Neste capítulo, Latour participa ativamente e detalhadamente de um processo científico, e mais especificamente de uma prática científica a qual ele dá o nome de referência circulante.
Em oposição, ele critica a filosofia e a ciência que estabelecem uma correspondência entre mundo (extremidade de material) e linguagem (extremidade formal) através de um hiato, abstrato e saltatório. Segundo ele, trata-se de uma visão canônica e os fenômenos não são o limite entre a coisa em si e um ego transcendental. E diz: “as ciências não falam do mundo, mas constroem representações que ora parecem empurra-lo para longe, ora traze-lo para perto”.
Seu estudo da técnica da ciência (e tecnociência) identifica uma situação, descreve uma equipe, que lança hipóteses, e detalha minuciosamente cada etapa do trabalho, formando uma cadeia de elementos, onde dentro de cada elo há a transformação da matéria em forma, desenhando sucessivas camadas de transformações. Não pode haver ruptura entre coisas e signos. Esta é a referência circulante.
A produção da certeza também é produzida pelos protolaboratórios e laboratórios de vários tipos (“é que, para tornar-se reconhecível, o mundo precisa transformar-se em laboratório”). Se por um lado, ao longo da evolução desta cadeia, temos uma redução (localidade, particularidade, multiplicidade, materialidade), por outro, obtemos uma ampliação (compatibilidade, padronização, texto, cálculo, universalidade relativa, cores, diagramas).
O estudo e a pesquisa acabam não sendo conclusivos. A hipótese mais plausível, relativa às minhocas e suas fezes, não pôde ser comprovada. Uma nova expedição deverá ser organizada e os pesquisadores deverão retornar. Talvez devesse participar da próxima equipe um biólogo ou um zoólogo...
OBSERVAÇÃO: REAÇÃO DO CARLOS ALBERTO PAIXÃO
ResponderExcluirNesse extenso segundo capítulo, Latour trata do que ele considera ser “ a única maneira de compreender a realidade dos Science Studies”.
Para tanto, segue o que esses estudos “fazem de melhor” (segundo o autor) ou seja, presta atenção aos detalhes da prática científica.
No caso examinado, ele acompanha ( bem de perto) pedólogos, antropólogos, botânicos, geomorfologistas em uma expedição científica à floresta amazônica, dando prosseguimento à discussão relativa ao que refere ser o modo de “acondicionamento do mundo em palavras”. Seu posicionamento é de que não há correspondência, nem tampouco lacunas entre natureza e linguagem: não sendo esses, também, dois domínios ontológicos distintos, mas um fenômeno inteiramente diverso que ele denominava referência circulante.
OBSERVAÇÃO: REAÇÃO DO CARLOS ALBERTO PAIXÃO