Outro dia o badalado filósofo Luiz Felipe Pondé com sua charmosa retórica disse: "Não acredito em gente pura". Ele se referia aos veganos, mas acho que a frase se encaixa bem nesse capítulo da Pandora de Latour. Buscar uma política livre de ciência ou uma ciência livre de política é não só uma jornada impossivel como também uma vontade tola, que muito mais perde do que ganha. No entanto, enquanto os termos política e retórica sofreram com o desgaste do uso e do tempo e perderam a nobreza de suas funções, essa suposta pura, imponente, senhora e maiúscula Ciência segue sendo respeitosamente idolatrada, ainda nos dias de hoje. Ao argumentar que algo é bom, basta dizer que é cientificamente comprovado. Mas aqui nos estudos CTS aprendemos a questionar e a entender que as verdades são sempre situadas e provisórias. Destaco uma passagem para nossa reflexão: "Na ágora nunca existe eco, mas rumores, condensações, deslocamentos, acumulações, simplificações, desvios, transformações - urna química altamente complexa que faz com que um represente o todo, e outra química, igualmente complexa, que (às vezes) leva o todo a obedecer a um."
Em “Uma política livre de ciência”, Latour continua analisando os escritos de Platão, no Górgias, com o embate de Sócrates e Cálicles. Latour quer separar a política dos especialistas ou, pelo menos, diminuir o seu poder de influência. Segundo Latour, a política deve se preocupar com os assuntos do dia a dia, de urgência, e poderem ser tratados pelos homes do povo. Não há a necessidade de um especialista para dizer o que é o certo e o errado, e quando Sócrates e Cálicles concordam sobre esta necessidade, segundo Latour, “o Estado torna-se impossível” (pág. 287 Editora Unesp). Latour cita “que, na Europa não sabemos que bife comer por causa das muitas controvérsias, sobre as quais lemos diariamente nos nossos jornais, entre cozinheiros e médicos a respeito de vacas loucas infectadas ou não por príons, daríamos vários anos da nossa vida para recuperar a solução que Sócrates simplesmente ignora.” (pág. 285 Editora Unesp) A solução que Sócrates ignora é a da ágora, a do povo decidindo, através dos discursos retóricos. Acho que a política pode ganhar perdendo um pouco da influência da ciência mas, ao mesmo tempo com os recentes casos de campanhas antivacinas, por exemplo, creio a o poder público deva continuar exercendo a sua força, pelo menos em questões de saúde pública.
Reação do capítulo 8 : Uma política livre de ciência - O corpo cosmopolítico
Latour ao narrar os embates de Sócrates, nos remete a pensar no seguinte argumento absurdo: "qualquer perito seria derrotado por um ignorante que conheça apenas a retórica". Não vivemos isso nos dias de hoje? O que os milhares ou talvez milhões de "peritos" que vagueiam pelas redes sociais fazem? Anônimos sem conhecimento e com parcas informações que na maioria das vezes se apresentam desconexas e fora do crivo científico. Lembro -me que certa vez ouvi uma frase: " As redes sociais deram ouvido as aldeias". Sócrates é atual na perspectiva do texto de Latour. Este ao afirmar que aquele deprecia o conhecimento político. Contextualizando, vivemos uma tentativa de satanizar a política nos dias de hoje. Criou-se um discurso perigoso e ditatorial onde um ou alguns são capazes de cuidar dos interesses da maioria. A democracia inventada pelos gregos é a razão pela qual a nossa sociedade pôde chegar ao nível atual de desenvolvimento. Parece-me que atualmente existem muitas "arraias elétricas" emitindo choques elétricos. A Ciência nunca foi neutra. Ela ao longo da história assume lados e faz escolhas. A República das letras, idealizada no século XVIII, onde os homens de ciências estariam numa espécie de Panteon acima do Estado, das religiões e das raças, sucumbe com avanço da cavalaria de Napoleão. A partir daí vemos que a ciência pode ser internacional contudo, os cientistas não são. Diante do que foi exposto, Latour afirma que somente com a "dupla circulação" poderemos nos beneficiar das grandes invenções gregas: a demonstração e a democracia.
O que é retórica e para que serve nas práticas da tecnociência? Como fazer ciência na democracia? Esta é a pergunta que fica martelando..... A democracia ocorre quando as decisões são tomadas por um conjunto amplo de pessoas, cada qual com seu conhecimento, seja este dito especializado ou não. Tanto a política quanto a ciência lidam com uma multidão de não-peritos, aos quais se pretende convencer de determinado fato (ou fato-a-ser). Para isso, precisamos persuadir, debater, conseguir aliados. Alguns dizem que “contra fatos, não há argumentos” ou creem que é fácil estabilizar um fato científico quando este fato é “verdade”. Mesmo quando as controvérsias não deixam o ambiente acadêmico, os cientistas envolvidos montam a sua retórica, escrevem artigos nos quais apresentam seus casos, suas inscrições, seus argumentos e buscam aceitação. Quando este conhecimento pretende se ampliar para entrar em outros domínios, como, por exemplo, o das políticas públicas, daí a coisa complica mais ainda. Cientistas precisam encontrar argumentos que convençam não peritos. Ninguém faz ciência sem fazer retórica.
Neste capítulo, Lathur trata a cosmopolitica como as leis inerentes ao o ser humano nos aspectos democráticos denuma sociedade. Nesse sentido, a cosmopolítica de Latour no capítulo, mostra o princípio básico para construção de um mundo comum entre humanos e não humanos, um mundo aonde diversos agentes científicos ou divindades não modernas possam conviver, a não unicidade de uma racionalidade e sim a racionalidade hegemônica de convergência mútua. LATOUR contrapõe a modernidade deixando de lado o consenso para que se prevaleça as controvérsias. A sociedade brasileira precisa em certo ponto entender e práticas a cosmopolitica de Lathur.
No capítulo 8, “Uma política livre de ciência – O corpo cosmopolítico”, caso tivesse que identificar uma palavra chave para mim seria a Retórica, a arte da eloquência, de bem argumentar, da palavra, da oratória, com o objetivo de ser persuasivo. Esse poder de persuadir as pessoas é facilitado quando o público atingido não tem o conhecimento adequado sobre o assunto, quando não são especialistas, não-peritos, por exemplo, um retórico médico terá mais facilidade de convencer uma plateia de engenheiros do que uma plateia de seus iguais, ou seja, de médicos. Isso seria uma aptidão que algumas possuem e outras não, umas mais e outras menos. Advogados, promotores e defensores nos tribunais, e políticos na política usam e abusam da retórica para poder convencer os seus “públicos” das suas ideias. Esses últimos, os políticos, como na maioria das vezes atingem um público não especialista, a população em geral, geralmente têm uma maior facilidade em alcançar os seus objetivos. Isso também me faz lembrar um provérbio grego que diz: Em terra de cego quem tem um olha é rei – ou seja, quando se tem uma multidão que não domina um assunto, uma pessoa mesmo que um pouco esclarecida se destaca sobre as demais. Ainda na política, o discurso persuasivo independe do certo ou errado, da razão ou da moralidade, na maioria das vezes não se preocupam com isso, o que se busca é conseguir o objetivo de convencer o seu público das suas ideias e posições.
Sei que é papo de Cálicles, mas sugeriria a você, George Gama, abrir uma conta no Google e estar em sessão quando fizer o seu comentário por aqui em nosso blog do curso (https://ects-2019-1.blogspot.com/2019/03/capitulo-8.html). Poderia ser feito de outra forma, mas acho que esta, que estou sugerindo, seria a mais simples e mais rápida. Tudo bem? Ou você acha que estou sendo injusto? Aí é papo de Sócrates no Górgias : "É preferível sofrer injustiça do que cometê-la"
Neste capítulo, Latour tinha a pretensão de enaltecer a discórdia, um mundo capaz de realizar redes que possam conectar diversas formas de existencia não obdecendo nehuma hierarquização do mundo moderno. A socialização de mundos distintos, contraponto ao pensamento moderno de uma razão única, Latour e sua ideia de cosmopotilitica demonstra um esforço para mostrar que é possível existir negociação diante das diferenças, o relacionismo segundo Latour promove uma negociação planetária, levando o que ele denomina de universais relativos.
ESTUDOS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE Aluno: Mario Afonso da Silveira Barbosa Reação ao capítulo 8 do livro “A Esperança de Pandora”
Ciência e política vivem um relacionamento paradoxal. Ao mesmo tempo que a ciência ganha autoridade a partir de sua suposta capacidade de orientar decisões sobre políticas públicas, uma aproximação excessiva com o campo político é uma das maiores ameaças à sua legitimidade. A recíproca também é verdadeira: ao mesmo tempo em que os políticos se valem da autoridade dos cientistas para defender seus pontos de vista, a aceitação do caráter meramente técnico das tomadas de decisão parece tornar quase dispensável a atuação dos primeiros, assim como o exercício do voto e outras formas de participação popular. É nesse sentido que se diz que "apenas boas cercas fazem da política e da ciência bons vizinhos". Latour indica como causas da chamada “guerra das ciências” as próprias definições para ciência: a Ciência número 1, com C maiúsculo, o ideal da transmissão de informações sem discussão ou deformação; a ciência número 2, que lida com entidades não-humanas a partir de experimentos e cálculos que se nutrem das controvérsias, que por consequência apresenta os dois campos contraditórios onde os estudos de ciência tentam se consolidar: “os das humanidades, que pensam que damos demasiado às entidades não humanas, e os de alguns quartéis das ciências ‘duras’, que nos acusam de dar demasiado às entidades humanas.” Latour conclui que para lidar com essas controvérsias. urna "dupla circulação" tem de voltar a fluir livremente no Estado: a da ciência (nº 2) livre da política e a da política livre da ciência (nº 1).
Compartilhando a apresentação que fiz refletindo algumas ideias dos capítulos 7 e 8 do Esperança de Pandora. Para acessar copie e cole em um navegador a URL a seguir: http://bit.ly/Capitulos07-08-EsperancadePandora
Como já esclareci na reação do capítulo sete, tive muita dificuldade em compreender o conteúdo daquele e deste capítulos. Após o último encontro, a partir da apresentação da esquete dos colegas de turma na última aula, acredito que consegui começar a compreender o que o autor quis dizer quando expôs os diálogos de Sócrates e Cálicles. O autor esclarece como a retórica está permeada no discurso. Sendo este discurso um de natureza política, ele poderia ser usado como ferramenta pelos indivíduos para inflamar os sentimentos dos ouvintes, bem como convencê-los ou dissuadi-los. Pode, ainda transmitir mensagens de forma mais eficaz ou manipuladora, independente das reais intenções do político para com a população. O diálogo de Górgias esclarece que não é somente o conteúdo da mensagem que influencia o ouvinte, mas também a retórica do discursante.
Nesta reação escolhi um texto que usa a retórica como forma de empoderamento feminino: "A evolução será nossa revolução. A mulher entendendo que a busca não deve ser por adequação ou aceitação. Não somos homens-baunilha e caber é obedecer. Ser escrava do patriarcado capitalista nunca foi a meta da nossa alma selvagem. Tu já existe, já é, não é crachá que te define. Ao ter crachá, compreender que o sistema não vai te dar voz na bandeja, vai ter que falar mais alto. Ser insolente é a única saída. A luta é por ressignificarmos o poder do feminismo sagrado. O poder de ser cíclica, o poder da roda, da troca e de nos darmos as mãos. Alimentar correntes, alimentar a economia criativa feita por mulheres. Compre das minas! Contrata as minas! Paga bem as parceiras de luta. Só assim, juntas e acordadas, a gente vai sair da estrada sinalizada e adentrar a mata. A estrada autentica está a espera de decidirmos. Decidir vem de matar. Cada decisão uma morte. E é preciso aprender a morrer, a perder rápido o mapa desse caminhar que não é nosso. Porque nosso caminho se faz com nossos passos e nossa dança. E faz cinco mil anos que perdemos essa arte que agora vamos recuperar. Comando. Estar no comando. Fortes e sem medo. Nossa revolução será pelo afeto." Eliana Rigol.
Outro dia o badalado filósofo Luiz Felipe Pondé com sua charmosa retórica disse: "Não acredito em gente pura". Ele se referia aos veganos, mas acho que a frase se encaixa bem nesse capítulo da Pandora de Latour. Buscar uma política livre de ciência ou uma ciência livre de política é não só uma jornada impossivel como também uma vontade tola, que muito mais perde do que ganha.
ResponderExcluirNo entanto, enquanto os termos política e retórica sofreram com o desgaste do uso e do tempo e perderam a nobreza de suas funções, essa suposta pura, imponente, senhora e maiúscula Ciência segue sendo respeitosamente idolatrada, ainda nos dias de hoje. Ao argumentar que algo é bom, basta dizer que é cientificamente comprovado.
Mas aqui nos estudos CTS aprendemos a questionar e a entender que as verdades são sempre situadas e provisórias. Destaco uma passagem para nossa reflexão:
"Na ágora nunca existe eco, mas rumores, condensações, deslocamentos, acumulações, simplificações, desvios, transformações - urna química altamente complexa que faz com que um represente o todo, e outra química, igualmente complexa, que (às vezes) leva o todo a obedecer a um."
Em “Uma política livre de ciência”, Latour continua analisando os escritos de Platão, no Górgias, com o embate de Sócrates e Cálicles. Latour quer separar a política dos especialistas ou, pelo menos, diminuir o seu poder de influência. Segundo Latour, a política deve se preocupar com os assuntos do dia a dia, de urgência, e poderem ser tratados pelos homes do povo. Não há a necessidade de um especialista para dizer o que é o certo e o errado, e quando Sócrates e Cálicles concordam sobre esta necessidade, segundo Latour, “o Estado torna-se impossível” (pág. 287 Editora Unesp).
ResponderExcluirLatour cita “que, na Europa não sabemos que bife comer por causa das muitas controvérsias, sobre as quais lemos diariamente nos nossos jornais, entre cozinheiros e médicos a respeito de vacas loucas infectadas ou não por príons, daríamos vários anos da nossa vida para recuperar a solução que Sócrates simplesmente ignora.” (pág. 285 Editora Unesp) A solução que Sócrates ignora é a da ágora, a do povo decidindo, através dos discursos retóricos.
Acho que a política pode ganhar perdendo um pouco da influência da ciência mas, ao mesmo tempo com os recentes casos de campanhas antivacinas, por exemplo, creio a o poder público deva continuar exercendo a sua força, pelo menos em questões de saúde pública.
Reação do capítulo 8 : Uma política livre de ciência - O corpo cosmopolítico
ResponderExcluirLatour ao narrar os embates de Sócrates, nos remete a pensar no seguinte argumento absurdo: "qualquer perito seria derrotado por um ignorante que conheça apenas a retórica". Não vivemos isso nos dias de hoje? O que os milhares ou talvez milhões de "peritos" que vagueiam pelas redes sociais fazem? Anônimos sem conhecimento e com parcas informações que na maioria das vezes se apresentam desconexas e fora do crivo científico. Lembro -me que certa vez ouvi uma frase: " As redes sociais deram ouvido as aldeias".
Sócrates é atual na perspectiva do texto de Latour. Este ao afirmar que aquele deprecia o conhecimento político. Contextualizando, vivemos uma tentativa de satanizar a política nos dias de hoje. Criou-se um discurso perigoso e ditatorial onde um ou alguns são capazes de cuidar dos interesses da maioria. A democracia inventada pelos gregos é a razão pela qual a nossa sociedade pôde chegar ao nível atual de desenvolvimento. Parece-me que atualmente existem muitas "arraias elétricas" emitindo choques elétricos.
A Ciência nunca foi neutra. Ela ao longo da história assume lados e faz escolhas. A República das letras, idealizada no século XVIII, onde os homens de ciências estariam numa espécie de Panteon acima do Estado, das religiões e das raças, sucumbe com avanço da cavalaria de Napoleão. A partir daí vemos que a ciência pode ser internacional contudo, os cientistas não são.
Diante do que foi exposto, Latour afirma que somente com a "dupla circulação" poderemos nos beneficiar das grandes invenções gregas: a demonstração e a democracia.
O que é retórica e para que serve nas práticas da tecnociência? Como fazer ciência na democracia?
ResponderExcluirEsta é a pergunta que fica martelando..... A democracia ocorre quando as decisões são tomadas por um conjunto amplo de pessoas, cada qual com seu conhecimento, seja este dito especializado ou não. Tanto a política quanto a ciência lidam com uma multidão de não-peritos, aos quais se pretende convencer de determinado fato (ou fato-a-ser). Para isso, precisamos persuadir, debater, conseguir aliados. Alguns dizem que “contra fatos, não há argumentos” ou creem que é fácil estabilizar um fato científico quando este fato é “verdade”.
Mesmo quando as controvérsias não deixam o ambiente acadêmico, os cientistas envolvidos montam a sua retórica, escrevem artigos nos quais apresentam seus casos, suas inscrições, seus argumentos e buscam aceitação. Quando este conhecimento pretende se ampliar para entrar em outros domínios, como, por exemplo, o das políticas públicas, daí a coisa complica mais ainda. Cientistas precisam encontrar argumentos que convençam não peritos.
Ninguém faz ciência sem fazer retórica.
Neste capítulo, Lathur trata a cosmopolitica como as leis inerentes ao o ser humano nos aspectos democráticos denuma sociedade. Nesse sentido, a cosmopolítica de Latour no capítulo, mostra o princípio básico para construção de um mundo comum entre humanos e não humanos, um mundo aonde diversos agentes científicos ou divindades não modernas possam conviver, a não unicidade de uma racionalidade e sim a racionalidade hegemônica de convergência mútua. LATOUR contrapõe a modernidade deixando de lado o consenso para que se prevaleça as controvérsias. A sociedade brasileira precisa em certo ponto entender e práticas a cosmopolitica de Lathur.
ResponderExcluirNo capítulo 8, “Uma política livre de ciência – O corpo cosmopolítico”, caso tivesse que identificar uma palavra chave para mim seria a Retórica, a arte da eloquência, de bem argumentar, da palavra, da oratória, com o objetivo de ser persuasivo. Esse poder de persuadir as pessoas é facilitado quando o público atingido não tem o conhecimento adequado sobre o assunto, quando não são especialistas, não-peritos, por exemplo, um retórico médico terá mais facilidade de convencer uma plateia de engenheiros do que uma plateia de seus iguais, ou seja, de médicos. Isso seria uma aptidão que algumas possuem e outras não, umas mais e outras menos. Advogados, promotores e defensores nos tribunais, e políticos na política usam e abusam da retórica para poder convencer os seus “públicos” das suas ideias. Esses últimos, os políticos, como na maioria das vezes atingem um público não especialista, a população em geral, geralmente têm uma maior facilidade em alcançar os seus objetivos. Isso também me faz lembrar um provérbio grego que diz: Em terra de cego quem tem um olha é rei – ou seja, quando se tem uma multidão que não domina um assunto, uma pessoa mesmo que um pouco esclarecida se destaca sobre as demais. Ainda na política, o discurso persuasivo independe do certo ou errado, da razão ou da moralidade, na maioria das vezes não se preocupam com isso, o que se busca é conseguir o objetivo de convencer o seu público das suas ideias e posições.
ResponderExcluirA reação acima foi registrada por George Gama.
ExcluirSei que é papo de Cálicles, mas sugeriria a você, George Gama, abrir uma conta no Google e estar em sessão quando fizer o seu comentário por aqui em nosso blog do curso (https://ects-2019-1.blogspot.com/2019/03/capitulo-8.html). Poderia ser feito de outra forma, mas acho que esta, que estou sugerindo, seria a mais simples e mais rápida. Tudo bem? Ou você acha que estou sendo injusto? Aí é papo de Sócrates no Górgias : "É preferível sofrer injustiça do que cometê-la"
ExcluirSerá que agora vai ???
ExcluirNeste capítulo, Latour tinha a pretensão de enaltecer a discórdia, um mundo capaz de realizar redes que possam conectar diversas formas de existencia não obdecendo nehuma hierarquização do mundo moderno. A socialização de mundos distintos, contraponto ao pensamento moderno de uma razão única, Latour e sua ideia de cosmopotilitica demonstra um esforço para mostrar que é possível existir negociação diante das diferenças, o relacionismo segundo Latour promove uma negociação planetária, levando o que ele denomina de universais relativos.
ResponderExcluirESTUDOS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE
ResponderExcluirAluno: Mario Afonso da Silveira Barbosa
Reação ao capítulo 8 do livro “A Esperança de Pandora”
Ciência e política vivem um relacionamento paradoxal. Ao mesmo tempo que a ciência ganha autoridade a partir de sua suposta capacidade de orientar decisões sobre políticas públicas, uma aproximação excessiva com o campo político é uma das maiores ameaças à sua legitimidade. A recíproca também é verdadeira: ao mesmo tempo em que os políticos se valem da autoridade dos cientistas para defender seus pontos de vista, a aceitação do caráter meramente técnico das tomadas de decisão parece tornar quase dispensável a atuação dos primeiros, assim como o exercício do voto e outras formas de participação popular. É nesse sentido que se diz que "apenas boas cercas fazem da política e da ciência bons vizinhos". Latour indica como causas da chamada “guerra das ciências” as próprias definições para ciência: a Ciência número 1, com C maiúsculo, o ideal da transmissão de informações sem discussão ou deformação; a ciência número 2, que lida com entidades não-humanas a partir de experimentos e cálculos que se nutrem das controvérsias, que por consequência apresenta os dois campos contraditórios onde os estudos de ciência tentam se consolidar: “os das humanidades, que pensam que damos demasiado às entidades não humanas, e os de alguns quartéis das ciências ‘duras’, que nos acusam de dar demasiado às entidades humanas.” Latour conclui que para lidar com essas controvérsias. urna "dupla circulação" tem de voltar a fluir livremente no Estado: a da ciência (nº 2) livre da política e a da política livre da ciência (nº 1).
Compartilhando a apresentação que fiz refletindo algumas ideias dos capítulos 7 e 8 do Esperança de Pandora. Para acessar copie e cole em um navegador a URL a seguir: http://bit.ly/Capitulos07-08-EsperancadePandora
ResponderExcluirLink para o áudio da aula de 27 de junho de 2019: http://bit.ly/20190627_Audio_ECTS
ResponderExcluirComo já esclareci na reação do capítulo sete, tive muita dificuldade em compreender o conteúdo daquele e deste capítulos. Após o último encontro, a partir da apresentação da esquete dos colegas de turma na última aula, acredito que consegui começar a compreender o que o autor quis dizer quando expôs os diálogos de Sócrates e Cálicles.
ResponderExcluirO autor esclarece como a retórica está permeada no discurso. Sendo este discurso um de natureza política, ele poderia ser usado como ferramenta pelos indivíduos para inflamar os sentimentos dos ouvintes, bem como convencê-los ou dissuadi-los. Pode, ainda transmitir mensagens de forma mais eficaz ou manipuladora, independente das reais intenções do político para com a população. O diálogo de Górgias esclarece que não é somente o conteúdo da mensagem que influencia o ouvinte, mas também a retórica do discursante.
Nesta reação escolhi um texto que usa a retórica como forma de empoderamento feminino:
ResponderExcluir"A evolução será nossa revolução. A mulher entendendo que a busca não deve ser por adequação ou aceitação. Não somos homens-baunilha e caber é obedecer. Ser escrava do patriarcado capitalista nunca foi a meta da nossa alma selvagem. Tu já existe, já é, não é crachá que te define. Ao ter crachá, compreender que o sistema não vai te dar voz na bandeja, vai ter que falar mais alto. Ser insolente é a única saída. A luta é por ressignificarmos o poder do feminismo sagrado. O poder de ser cíclica, o poder da roda, da troca e de nos darmos as mãos. Alimentar correntes, alimentar a economia criativa feita por mulheres. Compre das minas! Contrata as minas! Paga bem as parceiras de luta. Só assim, juntas e acordadas, a gente vai sair da estrada sinalizada e adentrar a mata. A estrada autentica está a espera de decidirmos. Decidir vem de matar. Cada decisão uma morte. E é preciso aprender a morrer, a perder rápido o mapa desse caminhar que não é nosso. Porque nosso caminho se faz com nossos passos e nossa dança. E faz cinco mil anos que perdemos essa arte que agora vamos recuperar. Comando. Estar no comando. Fortes e sem medo. Nossa revolução será pelo afeto." Eliana Rigol.