“Atenção Tudo é perigoso Tudo é divino maravilhoso Atenção para o refrão É preciso estar atento e forte Não temos tempo de temer a morte” (Caetano Veloso)
Será que a ciência morre quando percebemos que cada caso de sucesso só é assim percebido após uma longa trajetória de esforços, suor, adaptações e arregimentações? Sim, a Ciência morre. Morre a Ciência verdade, caixa preta, universal. Morre esta Ciência porque percebemos que os casos de fracasso percorrem os mesmos caminhos que os casos de sucesso (olha a possibilidade de nossos estudos simétricos aí!). Não, a ciência não morre. Vive a ciência como prática humana e sai fortalecida a cada ator arregimentado, a cada camada adicionada, a cada tradução-translação-deslocamento.
E deixa meus ídolos aí porque, como Oswaldo Cruz, tenho “fé eterna na ciência”!
No capítulo 9, Latour cita Deus como teoria da ação, do domínio e da criação, retomando, mais uma vez, a discussão do caráter construído, suas diversas controvérsias ao longo dos capítulos anteriores algumas vezes de forma desordenadas deixando claro que as crenças podem recuperar seu peso antológico, considerando um caráter mediador da política nas diversas combinações entre humanos e não-humanos. “Então eu logo compreendi que os personagens não humanos também tinham aventuras que poderíamos acompanhar se abandonássemos a ilusão de que eles eram ontologicamente diferentes dos seres humanos. O que vale é apenas a agency, suas capacidades de atuação e os diversos papéis que lhes foram atribuídos”. (Latour 2012:9)
Os três pontos destacados por Latour na conclusão do capítulo 9 (p. 331-332) sobre a herança de “todos os gestos iconoclastas de nossa história” sinalizam que há um entendimento possível para questões muito presentes e inquietantes em nossa sociedade. Uma delas, uma certa descrença na ciência, totalmente em desacordo com as descobertas e avanços em áreas vitais como a medicina, por exemplo, vide notícias e estatísticas sobre movimentos contra vacinas, declarados ou não. Ou, então, o inacreditável terraplanismo, formalizado em associações e congressos, a desafiar séculos de comprovações das leis da física e da cosmologia e desacreditar imagens pela Internet afora. Ou ainda, no plano da espiritualidade, a procura crescente por religiões de dogmas radicalmente opostos a qualquer diálogo com a ciência e/ou a filosofia. Seria ainda muito inadequado pensar que a imposição do politicamente correto poderia se converter também numa derrapada perigosa de iconoclastia, a comprometer propostas bem-intencionadas e mesmo fundamentais para um convívio social harmonioso, quando não a própria sobrevivência da espécie? Mas, talvez, o indício mais grave, ainda que não o mais evidente, situe-se na política, onde o uso indiscriminado e frequentemente leviano de ideais históricos caem por terra, não pelas marteladas dos que a eles se opõem, mas pelos gritos de seus pretensos defensores. Ouçamos Latour: “Talvez esteja na hora de voltarmos sobre os nossos passos; o risco de parecer reacionário pode ser menor que o de ser modernista na época errada e da maneira errada.”
Latour inicia este capítulo dizendo que aparentemente concluiu sua tarefa, mas logo percebe que lhe falta algo. Segundo sua perspicácia, há algo no “ponto de quebra” que despedaçou o antigo modelo que pode preencher tal lacuna. Uma percepção que é oposta à dos pragmáticos, não se trata de dualidades entre teorias e conteúdos, mas do rompimento de uma unidade científica. Para consolidar esse pensamento, ele busca primeiro o sentido de fetiche, que em suas palavras é “algo que nada é em si mesmo, mas simplesmente a tela branca na qual projetamos, erroneamente, nossas fantasias, nosso trabalho, nossas esperanças e paixões”. Para isso, faz comparações com um mito envolvendo Jagannath e uma pedra sagrada, em que Jagannath tenta provar a si mesmo e aos párias que se trata apenas de uma simples pedra, forçando todos a tocá-la. Jagannath é um exemplo de iconoclasta, e “a iconoclastia é uma parte essencial de qualquer crítica”. A crença na pedra é o exemplo de fetiche, enquanto o toque, que supostamente a desmistifica, o exemplo de fato. Ambos são construídos e compartilham uma ruptura, causada pelo impacto do “martelo” metafórico do iconoclasta. No entanto, quando a fabricação em laboratório dos fatos e a fabricação explícita do fetiche são agrupados, os recursos do iconoclasta se diluem no ar, sobrando o que ele denomina de fatiche. A discussão continua apresentando as características desse novo conceito, formulado a partir da junção entre fato e fetiche.
No capítulo 9, A ligeira surpresa da ação - Fatos, Fetiches e Fatiches, o autor descreve a crença perguntando se é Real ou Fabricada. As suas formas, de não ter crenças, só acreditar no que é real, no que é fundamentado, no que é palpável, ou seja, em Fatos; na em ter crenças, na “fabricação” de uma forma de adoração de ídolos, ícone, imagens, Deuses, o que o autor chama de Fetiche; ou em uma terceira forma, que na verdade é uma criação da ausência de Fatos e Fetiches, criando, assim, uma forma que é uma junção dos dois anteriores, o que ele chama de Factiches. Faço uma analogia com a atual intolerância religiosa, que na verdade talvez sempre tivesse existido. De um lado os fieis das religiões que cultuam santos, imagens, deuses, que acreditam nos poderes que há nessas representações (os católicos e religiões africanas, por exemplo); de um outro lado fieis religiosos que têm suas fés em algo espiritual, não se sentindo representando por qualquer imagens física (como os evangélicos); aqueles que dizem não acreditar em nada que não seja dessa Terra, que não há nenhuma força além das existentes nesse plano (os chamados ateus, ou intelectualmente chamados de agnóstico); e uma classe de pessoas que rechaçam completamente qualquer tipo de fé, são avessos às crenças, mas, diferentemente dos anteriores, a revolta domina ao ponto de se partir para destruição das imagens e representações (são os iconoclastas). Como os extremos podem se revelar em qualquer parte, em alguns casos a postura desse último também pode aparecer nas formas anteriores. Intolerância nunca mais !!!
Latour lança um questionamento implícito do que é real e do que é fabricado. As descobertas da ciência já existiam na natureza e precisaram ser descobertas pelo homem? A questão do fermento ilustra bem a relação do humano e não-humano com Pasteur. Talvez isso possa ajudar a compreender o porquê de tantos movimentos opositores, que levam a confrontar descobertas, ou ações, já notoriamente conhecidos, divulgados e creditados à ciência, a partir da fala de Latour (p.305), “É como se uma prática científica, uma prática técnica e uma prática política conduzissem a reinos inteiramente distintos dos da teoria da ciência, da teoria da técnica, da teoria da política. ”
Reagir aos últimos capítulos do livro tem sido cada vez mais difícil. Este capítulo 9 acompanha este ritmo. Fatos e fetiches, são dados ou são fabricados, construídos. E os fatiches, palavrinha/conceito “novo” ? Não, ela já apareceu aqui e ali em outros capítulos. Voltam os conceitos da coisa que é fabricada que se fabrica como vimos no fermento de Pasteur. Acompanhar o momento em que a ciência está sendo feita e não a ciência pronta. “Fazer a prática em pedaços” (pág. 316). A Ciência com C maiúsculo que quer libertar os homens comuns das suas crenças, como na história de Jagannath, e que acaba por fortalecer o fetiche. Modernista fortalecendo fatos e fetiches, antimodernista fortalecendo fetiches(?), agnosticismo, são tantos termos. Latour diz que “Os fatiches são bons para articular cautela e publicidade. Eles declaram publicamente que se deve tomar cuidado na manipulação dos híbridos.” (pág. 341) e lembra que os objetos produzidos pelos não modernos são “cabeludos, entrelaçados, à maneira de rizomas” (pág. 341). Termino ressaltando a dicotomia sujeito-objeto que segundo Latour “perdeu a capacidade de definir a nossa humanidade porque já não nos permite compreender a o sentido de um importante adjetivo: ‘inumano’.” (pág. 344) dada a importância dos não-humanos no pensamento de Latour.
No capítulo 9 Latour apresenta uma multiplicidade de conceitos que se completam entre si, ficando para mim evidente que não existe uma única forma de adquirir conhecimentos, mas diferentes processos de verdade – relação entre uma forma de discurso e uma forma de se discernir as situações. A Epistemologia pluralista e a racionalidade múltipla procuram evidenciar que toda racionalidade pode ser pensada e levada em consideração formas de pensar diferentes, mas todas são racionais. A cumulatividade ou mudança do conhecimento científico, tem a ver com a ideia que a ciência progride, em oposição à ideia em que a ciência vai mudando. Ela vai em função dos diferentes paradigmas, ela vai se transformando, progredindo. O que pretendo buscar a partir dos conceitos vistos é, uma forma de organização de conduzir a razão de maneira diferente, não buscando a universalidade, e nem tão pouco algo que seja fixo no tempo. Mas sim, uma forma de observar, associar, tirar conclusões e fazer novas predições. Uma forma de chegar à uma conclusão, onde você não precisa estar preso em uma forma de racionalidade, mas estar aberto a todos os conhecimentos válidos.
Neste capítulo o autor diferencia três termos: fatos, fetiche e fatiche. Para ele, fato é aquilo que é fabricado e não fabricado. (...) Mas também o fetiche é aquilo que é fabricado e não fabricado” (página 311). Um iconoclasta contribuiria para uma análise destes dois termos trazendo a crítica com relação a crença. No entanto, não cabe ao iconoclasta uma análise como se somente ele “projetasse sentimentos em objetos e se esquecesse de que os fatos que ele queria no abra tório não são produtos de suas próprias mãos” (página 316). Na verdade, os críticos iconoclastas modernistas tencionam destruir os ídolos para, depois, agirem como inventores misturando fatos e fetiches sem temer as consequências. Latour propõe outras formas outras teorias da ação que não somente a modernista.
Ainda que tenha libertado as entidades não-humanas de uma história das ciências que não as valorizou, nesse capítulo Latour permanece questionando: "Por que não conseguimos recuperar prontamente para o nosso discurso o que é oferecido pela prática? Por que as associações de entidades humanas e não-humanas sempre se tornam dois lados opostos numa guerra entre sujeitos e objetos?". Parece que ainda não conseguimos aceitar a fusão, a mistura, o lugar de igualdade que ocupam as coisas. Ainda não entendemos que modificamos e somos modificados pelos objetos em todas as nossas ações. Permanecemos acreditando que temos completo domínio sobre o que fazemos. Decerto os estudos CTS em muito contribuem para desenvolvermos uma visão crítica e questionadora sobre os ritos científicos. Já não aceitamos mais o rótulo de cientificamente comprovado sem buscar os outros lados das histórias. Mesmo assim o próprio Latour reconhece que ainda há incertezas: "O fardo de todas essas crenças torna-se insuportável quando, como na categoria pós-moderna, a própria ciência é submetida a mesma dúvida. Uma coisa é atacar as crenças quando estamos fortificados pelas certezas da ciência. Mas que devemos fazer quando a própria ciência se transforma numa crença?". Nesse ponto Latour, ouso discordar um pouco de você. A certeza da incerteza não me parece um fardo, ao contrário, me soa libertadora!
Reação aos Capítulos 7 e 8 OBSERVAÇÃO: REAÇÃO DO CARLOS ALBERTO PAIXÃO
Ao longo dos capítulos 7 e 8 o autor avança na direção de retornar à fonte do que considera ser a cenografia da Razão contra a Força( ver pág.249), detendo-se no texto do diálogo Gorgias, de Platão, e discutindo então, como “as ciências podem libertar-se do fardo que consiste em fazer um tipo de política capaz de abolir a política”( ver pág.296), bem como a possibilidade de libertar-se a política de um poder/saber que torna a política inviável.
OBSERVAÇÃO: REAÇÃO DO CARLOS ALBERTO PAIXÃO
Reação ao Capítulo 9
Nesse último capítulo, Latour se ocupa com “Deus”, nome que atribui a uma teoria da ação, do domínio e da criação que serviu de base ao já tantas vezes referido acordo moderno, retornando, mais uma vez, discussão do caráter construído, agora, não apenas dos fatos, mas também dos fetiches, palavras que, como o autor ressalta, possuem uma mesma raiz, Latour nos conclama, nesse capítulo, a suspender a “faca afiada” e o “martelo pesado” dos iconoclastas modernos, posto que será essa a atitude que nos permitirá ver que “sempre temos estado envolvidos na cosmopolítica”( ver pág.332). Ou seja, a grande vantagem de deixarmos que os fatos tornem a fundir-se em suas redes e controvérsias desordenadas e de que as crenças recuperem seu peso antológico é que a política se torna o que ela sempre foi antropologicamente falando: a gestão, a combinação e a mediação das combinações humanas e não-humanas( ver pag.332) .
“Atenção
ResponderExcluirTudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte”
(Caetano Veloso)
Será que a ciência morre quando percebemos que cada caso de sucesso só é assim percebido após uma longa trajetória de esforços, suor, adaptações e arregimentações? Sim, a Ciência morre. Morre a Ciência verdade, caixa preta, universal. Morre esta Ciência porque percebemos que os casos de fracasso percorrem os mesmos caminhos que os casos de sucesso (olha a possibilidade de nossos estudos simétricos aí!). Não, a ciência não morre. Vive a ciência como prática humana e sai fortalecida a cada ator arregimentado, a cada camada adicionada, a cada tradução-translação-deslocamento.
E deixa meus ídolos aí porque, como Oswaldo Cruz, tenho “fé eterna na ciência”!
O que houve aqui.? Sou a Cláudia e nunca fui uma desconhecida. Será que o George está fazendo escola?
ExcluirNo capítulo 9, Latour cita Deus como teoria da ação, do domínio e da criação, retomando, mais uma vez, a discussão do caráter construído, suas diversas controvérsias ao longo dos capítulos anteriores algumas vezes de forma desordenadas deixando claro que as crenças podem recuperar seu peso antológico, considerando um caráter mediador da política nas diversas combinações entre humanos e não-humanos.
ResponderExcluir“Então eu logo compreendi que os personagens não humanos também tinham aventuras que poderíamos acompanhar se abandonássemos a ilusão de que eles eram ontologicamente diferentes dos seres humanos. O que vale é apenas a agency, suas capacidades de atuação e os diversos papéis que lhes foram atribuídos”. (Latour 2012:9)
Os três pontos destacados por Latour na conclusão do capítulo 9 (p. 331-332) sobre a herança de “todos os gestos iconoclastas de nossa história” sinalizam que há um entendimento possível para questões muito presentes e inquietantes em nossa sociedade. Uma delas, uma certa descrença na ciência, totalmente em desacordo com as descobertas e avanços em áreas vitais como a medicina, por exemplo, vide notícias e estatísticas sobre movimentos contra vacinas, declarados ou não. Ou, então, o inacreditável terraplanismo, formalizado em associações e congressos, a desafiar séculos de comprovações das leis da física e da cosmologia e desacreditar imagens pela Internet afora. Ou ainda, no plano da espiritualidade, a procura crescente por religiões de dogmas radicalmente opostos a qualquer diálogo com a ciência e/ou a filosofia. Seria ainda muito inadequado pensar que a imposição do politicamente correto poderia se converter também numa derrapada perigosa de iconoclastia, a comprometer propostas bem-intencionadas e mesmo fundamentais para um convívio social harmonioso, quando não a própria sobrevivência da espécie? Mas, talvez, o indício mais grave, ainda que não o mais evidente, situe-se na política, onde o uso indiscriminado e frequentemente leviano de ideais históricos caem por terra, não pelas marteladas dos que a eles se opõem, mas pelos gritos de seus pretensos defensores. Ouçamos Latour: “Talvez esteja na hora de voltarmos sobre os nossos passos; o risco de parecer reacionário pode ser menor que o de ser modernista na época errada e da maneira errada.”
ResponderExcluirLatour inicia este capítulo dizendo que aparentemente concluiu sua tarefa, mas logo percebe que lhe falta algo. Segundo sua perspicácia, há algo no “ponto de quebra” que despedaçou o antigo modelo que pode preencher tal lacuna. Uma percepção que é oposta à dos pragmáticos, não se trata de dualidades entre teorias e conteúdos, mas do rompimento de uma unidade científica. Para consolidar esse pensamento, ele busca primeiro o sentido de fetiche, que em suas palavras é “algo que nada é em si mesmo, mas simplesmente a tela branca na qual projetamos, erroneamente, nossas fantasias, nosso trabalho, nossas esperanças e paixões”. Para isso, faz comparações com um mito envolvendo Jagannath e uma pedra sagrada, em que Jagannath tenta provar a si mesmo e aos párias que se trata apenas de uma simples pedra, forçando todos a tocá-la. Jagannath é um exemplo de iconoclasta, e “a iconoclastia é uma parte essencial de qualquer crítica”.
ResponderExcluirA crença na pedra é o exemplo de fetiche, enquanto o toque, que supostamente a desmistifica, o exemplo de fato. Ambos são construídos e compartilham uma ruptura, causada pelo impacto do “martelo” metafórico do iconoclasta. No entanto, quando a fabricação em laboratório dos fatos e a fabricação explícita do fetiche são agrupados, os recursos do iconoclasta se diluem no ar, sobrando o que ele denomina de fatiche. A discussão continua apresentando as características desse novo conceito, formulado a partir da junção entre fato e fetiche.
No capítulo 9, A ligeira surpresa da ação - Fatos, Fetiches e Fatiches, o autor descreve a crença perguntando se é Real ou Fabricada. As suas formas, de não ter crenças, só acreditar no que é real, no que é fundamentado, no que é palpável, ou seja, em Fatos; na em ter crenças, na “fabricação” de uma forma de adoração de ídolos, ícone, imagens, Deuses, o que o autor chama de Fetiche; ou em uma terceira forma, que na verdade é uma criação da ausência de Fatos e Fetiches, criando, assim, uma forma que é uma junção dos dois anteriores, o que ele chama de Factiches. Faço uma analogia com a atual intolerância religiosa, que na verdade talvez sempre tivesse existido. De um lado os fieis das religiões que cultuam santos, imagens, deuses, que acreditam nos poderes que há nessas representações (os católicos e religiões africanas, por exemplo); de um outro lado fieis religiosos que têm suas fés em algo espiritual, não se sentindo representando por qualquer imagens física (como os evangélicos); aqueles que dizem não acreditar em nada que não seja dessa Terra, que não há nenhuma força além das existentes nesse plano (os chamados ateus, ou intelectualmente chamados de agnóstico); e uma classe de pessoas que rechaçam completamente qualquer tipo de fé, são avessos às crenças, mas, diferentemente dos anteriores, a revolta domina ao ponto de se partir para destruição das imagens e representações (são os iconoclastas). Como os extremos podem se revelar em qualquer parte, em alguns casos a postura desse último também pode aparecer nas formas anteriores. Intolerância nunca mais !!!
ResponderExcluirConsiderando que agora há outra "Desconhecida", primeira publicação (rsss), o trabalho acima foi incluído pelo George Gama (rsss).
ExcluirLatour lança um questionamento implícito do que é real e do que é fabricado. As descobertas da ciência já existiam na natureza e precisaram ser descobertas pelo homem? A questão do fermento ilustra bem a relação do humano e não-humano com Pasteur. Talvez isso possa ajudar a compreender o porquê de tantos movimentos opositores, que levam a confrontar descobertas, ou ações, já notoriamente conhecidos, divulgados e creditados à ciência, a partir da fala de Latour (p.305), “É como se uma prática científica, uma prática técnica e uma prática política conduzissem a reinos inteiramente distintos dos da teoria da ciência, da teoria da técnica, da teoria da política. ”
ResponderExcluirReagir aos últimos capítulos do livro tem sido cada vez mais difícil. Este capítulo 9 acompanha este ritmo. Fatos e fetiches, são dados ou são fabricados, construídos. E os fatiches, palavrinha/conceito “novo” ? Não, ela já apareceu aqui e ali em outros capítulos.
ResponderExcluirVoltam os conceitos da coisa que é fabricada que se fabrica como vimos no fermento de Pasteur. Acompanhar o momento em que a ciência está sendo feita e não a ciência pronta. “Fazer a prática em pedaços” (pág. 316).
A Ciência com C maiúsculo que quer libertar os homens comuns das suas crenças, como na história de Jagannath, e que acaba por fortalecer o fetiche.
Modernista fortalecendo fatos e fetiches, antimodernista fortalecendo fetiches(?), agnosticismo, são tantos termos.
Latour diz que “Os fatiches são bons para articular cautela e publicidade. Eles declaram publicamente que se deve tomar cuidado na manipulação dos híbridos.” (pág. 341) e lembra que os objetos produzidos pelos não modernos são “cabeludos, entrelaçados, à maneira de rizomas” (pág. 341).
Termino ressaltando a dicotomia sujeito-objeto que segundo Latour “perdeu a capacidade de definir a nossa humanidade porque já não nos permite compreender a o sentido de um importante adjetivo: ‘inumano’.” (pág. 344) dada a importância dos não-humanos no pensamento de Latour.
Exemplo de quando a reação é uma figura: https://photos.app.goo.gl/zycVzyWQeTVsp7vAA
ResponderExcluirNo capítulo 9 Latour apresenta uma multiplicidade de conceitos que se completam entre si, ficando para mim evidente que não existe uma única forma de adquirir conhecimentos, mas diferentes processos de verdade – relação entre uma forma de discurso e uma forma de se discernir as situações.
ResponderExcluirA Epistemologia pluralista e a racionalidade múltipla procuram evidenciar que toda racionalidade pode ser pensada e levada em consideração formas de pensar diferentes, mas todas são racionais. A cumulatividade ou mudança do conhecimento científico, tem a ver com a ideia que a ciência progride, em oposição à ideia em que a ciência vai mudando. Ela vai em função dos diferentes paradigmas, ela vai se transformando, progredindo.
O que pretendo buscar a partir dos conceitos vistos é, uma forma de organização de conduzir a razão de maneira diferente, não buscando a universalidade, e nem tão pouco algo que seja fixo no tempo. Mas sim, uma forma de observar, associar, tirar conclusões e fazer novas predições. Uma forma de chegar à uma conclusão, onde você não precisa estar preso em uma forma de racionalidade, mas estar aberto a todos os conhecimentos válidos.
Neste capítulo o autor diferencia três termos: fatos, fetiche e fatiche. Para ele, fato é aquilo que é fabricado e não fabricado. (...) Mas também o fetiche é aquilo que é fabricado e não fabricado” (página 311). Um iconoclasta contribuiria para uma análise destes dois termos trazendo a crítica com relação a crença. No entanto, não cabe ao iconoclasta uma análise como se somente ele “projetasse sentimentos em objetos e se esquecesse de que os fatos que ele queria no abra tório não são produtos de suas próprias mãos” (página 316). Na verdade, os críticos iconoclastas modernistas tencionam destruir os ídolos para, depois, agirem como inventores misturando fatos e fetiches sem temer as consequências. Latour propõe outras formas outras teorias da ação que não somente a modernista.
ResponderExcluirAinda que tenha libertado as entidades não-humanas de uma história das ciências que não as valorizou, nesse capítulo Latour permanece questionando: "Por que não conseguimos recuperar prontamente para o nosso discurso o que é oferecido pela prática? Por que as associações de entidades humanas e não-humanas sempre se tornam dois lados opostos numa guerra entre sujeitos e objetos?". Parece que ainda não conseguimos aceitar a fusão, a mistura, o lugar de igualdade que ocupam as coisas. Ainda não entendemos que modificamos e somos modificados pelos objetos em todas as nossas ações. Permanecemos acreditando que temos completo domínio sobre o que fazemos. Decerto os estudos CTS em muito contribuem para desenvolvermos uma visão crítica e questionadora sobre os ritos científicos. Já não aceitamos mais o rótulo de cientificamente comprovado sem buscar os outros lados das histórias. Mesmo assim o próprio Latour reconhece que ainda há incertezas: "O fardo de todas essas crenças torna-se insuportável quando, como na categoria pós-moderna, a própria ciência é submetida a mesma dúvida. Uma coisa é atacar as crenças quando estamos fortificados pelas certezas da ciência. Mas que devemos fazer quando a própria ciência se transforma numa crença?". Nesse ponto Latour, ouso discordar um pouco de você. A certeza da incerteza não me parece um fardo, ao contrário, me soa libertadora!
ResponderExcluirReação aos Capítulos 7 e 8
ResponderExcluirOBSERVAÇÃO: REAÇÃO DO CARLOS ALBERTO PAIXÃO
Ao longo dos capítulos 7 e 8 o autor avança na direção de retornar à fonte do que considera ser a cenografia da Razão contra a Força( ver pág.249), detendo-se no texto do diálogo Gorgias, de Platão, e discutindo então, como “as ciências podem libertar-se do fardo que consiste em fazer um tipo de política capaz de abolir a política”( ver pág.296), bem como a possibilidade de libertar-se a política de um poder/saber que torna a política inviável.
OBSERVAÇÃO: REAÇÃO DO CARLOS ALBERTO PAIXÃO
Reação ao Capítulo 9
Nesse último capítulo, Latour se ocupa com “Deus”, nome que atribui a uma teoria da ação, do domínio e da criação que serviu de base ao já tantas vezes referido acordo moderno, retornando, mais uma vez, discussão do caráter construído, agora, não apenas dos fatos, mas também dos fetiches, palavras que, como o autor ressalta, possuem uma mesma raiz, Latour nos conclama, nesse capítulo, a suspender a “faca afiada” e o “martelo pesado” dos iconoclastas modernos, posto que será essa a atitude que nos permitirá ver que “sempre temos estado envolvidos na cosmopolítica”( ver pág.332). Ou seja, a grande vantagem de deixarmos que os fatos tornem a fundir-se em suas redes e controvérsias desordenadas e de que as crenças recuperem seu peso antológico é que a política se torna o que ela sempre foi antropologicamente falando: a gestão, a combinação e a mediação das combinações humanas e não-humanas( ver pag.332) .
OBSERVAÇÃO: REAÇÃO DO CARLOS ALBERTO PAIXÃO