Outra alternativa: Qual é a minha Esperança de Pandora?
HCTE-UFRJ Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia Universidade Federal do Rio de Janeiro Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) 1º Período de 2019 Mestrado: Turma 14212 - Doutorado: Turma 14213
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
TÍTULO: FUGA DE CÉREBROS EDUARDO NAZARETH PAIVA edu@hcte.ufrj.br RIO DE JANEIRO 30/06/2019
A QUESTÃO: Qual é a minha Esperança de Pandora?
A RESPOSTA: Esta é a minha esperança: Que a “fuga de cérebros” (interna e externa) no Brasil, também denominada "fuga de talentos", ou ainda, "brain drain", venha a diminuir substancialmente
REFERÊNCIAS:
La migración cualificada en América Latina: una revisión de los abordajes teóricos metodológicos y sus desafíos (Claudia Pedone & Yolanda Alfaro) Revista PERIPLOS: Revista de Investigación sobre Migraciones - v. 2 n. 1 (2018): LA MIGRACIÓN CUALIFICADA EN AMÉRICA LATINA: NUEVAS PERSPECTIVAS TEÓRICAS-METODOLÓGICAS Y DESAFÍOS - Publicado: 2018-08-25 http://ojs.bce.unb.br/index.php/obmigra_periplos/issue/view/1528/243
Fuga de cerebros, movilidad académica, redes científicas: Perspectivas latinoamericanas http://flacso.redelivre.org.br/files/2012/08/780.pdf
A “fuga” de cérebros como política de estado: do século 17 aos nossos dias - João Melato | Revista Opera - janeiro 17, 2019 - https://revistaopera.com.br/2019/01/17/a-fuga-de-cerebros-como-politica-de-estado-do-seculo-17-aos-nossos-dias/
'Fuga de cérebros' é maior na América Latina, diz estudo - Yolanda Valery 22 junho 2009 , de Caracas, para a BBC Mundo - https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2009/06/090622_braindrain_pu
Fuga de cérebros e baixa fecundidade indicam fraqueza permanente da economia - Analistas falam no conceito de histerese e citam ainda desemprego, desalento e ociosidade nas empresas - https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/06/fuga-de-cerebros-e-baixa-fertilidade-podem-indicar-fraqueza-permanente-da-economia.shtml
Corte em pesquisa amplia fuga de cérebros do país, diz especialista - 10 de abril de 2019, 12:39 h Atualizado em 18 de maio de 2019, 01:56 - https://www.brasil247.com/brasil/corte-em-pesquisa-amplia-fuga-de-cerebros-do-pais-diz-especialista
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Arquivo com o texto acima foi gerado em pdf e enviado para ects-2019-1@yahoogroups.com
O livro A esperança de Pandora de Bruno Latour nasce de uma pergunta feita por um amigo cientista de Latour. Você acredita na Humanidade? É esse o fio condutor ou a trilha no meio de vales e pântanos que Latour vai à busca suas respostas. Do estudo do solo na região amazônica do Brasil até os experimentos de Pasteur, o autor, ora enfadonho, ora esclarecedor, nos leva para dentro da caixa de demônios da Pandora. “Outro modo de expressar isso é afirmar que os modernistas e os pós-modernistas, em todos os seus esforços críticos, deixaram a crença, o centro intocável de suas corajosas empresas, intactas. Eles acreditam na crença. Acreditam que as pessoas acreditam ingenuamente. Trata-se, pois, de duas formas de agnosticismo. O primeiro, tão caro ao coração dos críticos, consiste numa recusa seletiva a crer no conteúdo da crença – usualmente Deus; mais geralmente, os fetichismos e coisas como saligramas; mais recentemente, cultura popular; e enfim os próprios fatos científicos”. Capítulo 9 – A ligeira surpresa da Ação. Página 326. Latour faz críticas contundentes aos pós-modernistas e aos iconoclastas que tem suas “crenças” na desconstrução de crenças, fatos e fetiches alheios. Atualmente vivemos na pós-modernidade e de acordo com Jean François Lyotard (1924 - 1998), um dos mais importantes filósofos a conceituar a pós-modernidade, esta pode ser claramente exemplificada como a total falência das ideias tidas como certas e verdadeiras em outrora pelos pensadores modernos. A pós-modernidade questiona as grandes utopias e antigas certezas que antes eram defendidas pelos iluministas. Desta forma, passa a considerar tudo como um conjunto de meras hipóteses ou especulações. A desconstrução que a pós-modernidade nos joga é um abismo de almas e de incertezas e infelicidades. As metaverdades são questionadas e tudo passou a ser relativizado. Latour faz sua intricada crítica no capítulo 9 ao afirmar que a crença dos modernistas e pós-modernistas é crer ingenuamente na crença ingênua dos outros. Entre os demônios que saíram da caixa de Pandora, talvez esse tenha sido o pai de todos. O maior e mais feroz demônio da caixa já liberto. Além disso, fatos científicos são relativizados e as verdades científicas são questionadas. Com advento das redes sociais, que deram vozes as aldeias, campanhas antivacinas ou movimentos de terraplanismo ganharam adeptos nas mais varias camadas sociais. O terraplanismo é ápice da relativização que o demônio da pós-modernidade nos propõe. O saber é questionado por personagens odiosos e por governos que vê na educação, no saber e na ciência “fetiches inimigos” e que precisam ser destruídos a todo custo. Grupos se radicalizam e o debate de ideias é rapidamente substituído por brados de guerra, opiniões pasteurizadas, acusações e mentiras – as fakenews –. Neste jogo a verdade e razão sãos as primeiras a serem assassinadas pelos iconoclastas do nosso tempo. Diante do que foi exposto, fico com as palavras finais de Latour: “Você acredita na realidade?”, estaremos todos desarmados, em trajes civis, uma vez que a tarefa de inventar o coletivo é tão formidável que torna as outras guerras irrisórias – inclusive, é claro, as guerras na ciência.” Conclusão. Página 355. As saídas para os problemas dos humanos e também dos não humanos serão sempre coletivas. O que me deixa sem esperança no atual quadro do nosso país. O nosso país era um país de agressivo-passivos, agora deixou o passivo para trás e ficou só com o agressivo. Some-se a isso o fato de que o sentimento básico da sociedade hoje é o ressentimento e nisso temos a nossa desgraça atual. Quanto mais o Brasil mergulha na dissolução mais os grupos sociais parecem almejar em primeiro lugar punir o grupo social que ainda lhe parece mais privilegiado que o dele. Ninguém mais sonha, ninguém almeja a grandeza, o desenvolvimento, a igualdade, a justiça. Nada disso parece mais ser possível para nós. É um demônio da caixa de Pandora, um estado de espírito incrivelmente triste que eu nunca pensei ver em nosso país.
HCTE-UFRJ Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia Universidade Federal do Rio de Janeiro Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) 1º Período de 2019 Mestrado: Turma 14212 - Doutorado: Turma 14213
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
A QUESTÃO: Qual é a minha Esperança de Pandora?
A RESPOSTA:
Esta é a minha esperança: Que a educação brasileira seja vista como um sistema de referência para outros países.
O Brasil é um país continental e seus problemas são compatíveis com o seu tamanho. A educação não foge a essa regra. Atualmente o Brasil ocupa o 53º lugar, entre os 65 países avaliados pelo (PISA). Problemas como mais de 700 mil crianças ainda fora da escola e o analfabetismo funcional, ainda fazem parte de nossa realidade, ou ainda, 34% dos alunos que chegam ao 5º ano de escolarização ainda não conseguem ler. Seria um problema de nossas crianças, que não conseguem compreender o que está sendo ensinado? Ou seria um problema um pouco mais complexo, como os objetivos dos políticos que não estão em concordância com as necessidades da sociedade. Teríamos nós aqui, um problema citado por Cálicles (LATOUR, 2001), ao afirmar aquele que detém o poder deve submeter os menos providos aos seus desejos ou vontades? Um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2003, que projetam conclusões sobre esse assunto. Observa-se um salto de 21%, em 1940, para 86%, em 1998, do número de alunos matriculados no Ensino Médio. Podemos observar que, inicialmente, a escola era para poucos e que, no final do século, há uma massificação do acesso ao ensino fundamental e médio. Entretanto, a qualidade do ensino não acompanhou esse aumento. Talvez porque, com o aumento do número de matrículas, se consiga maior volume de dinheiro para o seu município. Dessa forma, qual a necessidade de se melhorar a qualidade? Consequência?? A perda de nível no ensino público. Os resultados apontados por “Eles – políticos”, exaltam a redução da taxa de analfabetismo (apesar de atualmente os índices ainda serem altos). Porém, qual seria o modelo de educação adequada? Na Grécia antiga é que se atribui a criação da educação formal, com o descobrimento dos valores formais, colocando o home no desenvolvimento da sua personalidade, conhecimento da razão, inteligência crítica, liberdade individual e política. Olhando ainda para antiguidade, não podemos deixar de citar duas cidades que se constituíram como exemplos de organização e educação, Esparta e Atenas. Esparta era reconhecida pelo seu caráter militar, por isso, o seu modelo de educação era paltado na disciplina rígida, estimulação à competição, autoritarismo, códigos de conduta e exigência extrema de desempenho, entre outras. Por outro lado, Atenas objetivava o conhecimento, o exercício pela palavra (retórica e a polêmica). A partir da educação Ateniense é que se originam os sofistas, mestres da retórica e da oratória, eles ensinavam a arte das palavras para que seus alunos fossem capazes de construir argumentos vitoriosos na arena política. Em contraponto aos Sofistas tem-se também, nesse quadro o filósofo Sócrates propunha ensinar a pensar – mais do que ensinar a falar - através de perguntas cujas respostas dependiam de uma análise lógica e não simplesmente da mera retórica. Ambos contribuíram para a educação contemporânea através da valorização da experiência e do conhecimento prévio do aluno enquanto estratégias que se tornaram muito relevantes para o sucesso na aprendizagem do aluno na contemporaneidade. Portanto, nossa origem educacional foi pautada em rigor, disciplina, retórica e maiêutica, enfim, uma busca por um cidadão melhor. O que se perdeu? Atualmente para que ocorra uma educação significativa, ou melhor, uma democratização do ensino fundamental e médio, somente poderá acontecer a partir de uma melhora da qualidade. Tendo em vista que a disseminação falseia a verdade educacional, ou seja, a massificação do ensino vem acompanhada pela perda de virtude.
Qual é a minha Esperança de Pandora? Professor: Eduardo Nazareth Paiva TÍTULO: “Ciência escolar a serviço da sociedade na construção de um mundo melhor” LUCIANO ROBERTO PADILHA DE ANDRADE lucpad2013@gmail.com RIO DE JANEIRO- 07 – 07 – 2019 A ciência contribui para a sociedade a medida em que apresenta soluções para problemas de saúde, alimentação, meio ambiente, tecnologia, energia e outros, mais é preciso que tenha um impacto na rotina da vida da população, em especial os mais pobres, seja qual for a área do conhecimento. A medida que a ciência responde questionamentos da sociedade como um todo, ela se torna capaz de reduzir as desigualdades e constrói interações entre culturas e povos. A medida que a ciência for parte do cotidiano da sociedade fica facilitado o processo de desenvolvimento sustentável, a união da trinca ciência –Sociedade-Tecnologia melhora os resultados do desenvolvimento sustentável, pois o envolvimento dos cidadãos nos processos científicos, ocorre à medida que as ferramentas necessárias para criação de uma sociedade Sustentável ocorre das intervenções da ciência na rotina da vida do cidadão tornando pessoas mais conscientes de suas obrigações na construção de um mundo melhor. Mais para que minha esperança de Pandora aconteça o poder público precisa desenvolver políticas que promovam o desenvolvimento científico a serviço do Povo, investimento em educação para promoção da comunidade científica, o que neste começo de 2019 tivemos um retrocesso neste processo. A preparação de cidadãos em nossa sociedade com competências e habilidades do desenvolvimento sustentável passa pela educação básica forte e, interdisciplinar. Este processo implica na quebra de paradigmas na construção do conhecimento integrado, onde se apresenta a mudança curricular da formação das escolas, e preciso criar mais projetos integradores propondo soluções regionais para os diversos problemas da sociedade local. Minha esperança de pandora passa pela construção de uma nova visão da educação escolar, onde alunos futuros cidadãos, precisam experimentar aplicações dos conceitos da educação tradicional no campo da ciência a serviço da sociedade, devem na realidade produzir conhecimento na escola com objetivo focado no desenvolvimento e crescimento da sociedade onde vivem, promovendo transformações capazes de mudar a vida das pessoas através da educação. A educação Brasileira precisa da interação entre a sociedade e a escola na construção de um modelo de currículo amparado na realidade da região aonde a escola está inserida, para construção de uma cultura sustentável passa pelos desafios ambientais, que na escola tradicional fazem parte apenas da sociedade não sofrendo qualquer intervenção da escola, alunos desinformados, sem participação efetiva nas decisões ambientais da região, acaba com todas as perspectivas de desenvolvimento futuro. Dentro da minha esperança de pandora nasce a cultura ambiental dentro das escolas, processo inovador, que consiste em ações de ensino ancorados na produção cientifica, transformando as salas de aula em um espaço de apresentação e aplicação dos conceitos ambientais pertinentes a cultura local, a sociedade escolar trabalha os problemas ambientais provocando a construção do conhecimento a serviço da sociedade. A medida que as crianças estudarem os conceitos de forma científica, fazendo as devidas interações com a realidade local, a educação escolar passa fazer sentido, estudos comprovam que as crianças apresentam melhor capacidade de assimilar os conceitos científicos à medida que colocam em prática imediatamente, em processo de formalização do conhecimento.
Finalizando, a minha Esperança de Pandora, recai na necessidade que toda a comunidade escolar tenha de redescobrir e valorizar todos os conhecimentos que existe na sociedade na qual a escola esteja inserida, de forma a preparar as futuras gerações para os desafios ambientais e culturais que possam atrapalhar o desenvolvimento coletivo, a escola como um espaço transformador de pessoas para o desenvolvimento de um mundo melhor.
Nasci no seio de uma família pobre, mas não miserável, com pai e mãe estudaram até a terceira série do antigo ginasial, que corresponde hoje à terceira série do Ensino Fundamental, portanto, não eram analfabetos, mas liam e escreviam precariamente. Meu pai era pescador e minha mãe, simples doméstica. Meu pai não conheceu seu pai e os pais de minha mãe eram analfabetos clássicos, não sabiam escrever os próprios nomes. Assim, o cenário em termos de educação era o mais precário possível. Seria difícil imaginar que, desse meio familiar, dois filhos chegariam à universidade federal. Embora não tendo condições favoráveis para estudarmos, nossos pais sempre nos motivaram a estudar e cobravam contundentemente, muitas das vezes nos ameaçam se tirássemos notas baixas. Exagero? De certo. Mas, era assim. E as ameaças eram sérias. Não eram simples bravatas de pais aborrecidos. Não faltava o básico para estudarmos: lápis, caderno, uniforme da escola(pública) limpo e passado, pasta escolar. Ainda ecoa em meus ouvidos a seguinte sentença: “Vocês não trabalham, não pagam contas, têm comida e roupa lavada todos os dias, não têm com o que se preocuparem!! Portanto, a única obrigação de vocês é estudar!!” Assim, pelo medo e pelo gosto eu e meus dois irmãos estudamos muito!! Éramos as referências dentro de nossas respectivas classes, cada um em seu tempo, pois havia uma diferença de exatos dois anos entre nossas idades. Cada um de nós estava acima da média, em sua classe. Assim crescemos.... Não fiz cursinho pré-vestbular. Passei para o curso de Matemática da Universidade Federal Fluminense, que naquela época possuía a fama de ser um dos programas mais difíceis de ser concluído, dentro do ramo. Meu irmão mais velho havia passado para o curso de engenharia elétrica da mesma universidade, dois anos antes. Meu irmão mais novo optou por fazer o curso de eletrônica no Cefet. Também foi aprovado de primeira. Portanto, posso afirmar que, se não fosse a Escola Pública, a Universidade Pública e outras Instituições Públicas de Ensino não teríamos dado um “up-grade” em nossas vidas e, por conseguinte, na família como um todo. O Ensino Público com todas as suas agruras foi, naquela época, um veículo de nossa derradeira ascensão cultural e consequente financeira e social. Por tudo isso, acredito no Ensino Público, na Escola Pública. Se sou o que sou devo, sem dúvida, à Escola Pública. Então, quando leio notícias sobre corte de verbas para a Educação, e estrangulamentos de toda sorte, penso que os Governantes de hoje e do passado não compreenderam e não compreendem o verdadeiro poder da Educação. O poder transformador de realidades desfavorecidas, o poder ascensor de uma família e, por extensão, de uma comunidade, de uma região, de um país. Das práticas sociais, a que pode oferecer maior retorno em termos de transformações sociais e, consequentemente financeira , é a Educação. Isso já é mais que sabido. Mas, mesmo assim, Governo após Governo ignora esse dado. Minha esperança, aquela guardada no fundo da caixa(torácica) é que algum dia um Governante eleja como real prioridade a Educação, que faça dessa o carro-chefe de sua administração. Aí, experimentaremos: crescimentos em todos os setores da Economia, decrescimento da violência, menor despesa com saúde primária, etc. Foi assim com os “tigres asiáticos”. Tenho esperança( guardada, porém forte) que pode ser assim conosco, que ainda vivenciaremos essa fase!!
Exemplo simplificado de como postar o Trabalho Final da disciplina ECTS-2019-1: http://bit.ly/Exemplo-simplificado-TrabalhoFinal-ECTS-2019-1
ResponderExcluirOu diretamente via o link "Trabalhos Finais" no site de apoio da disciplina: https://sites.google.com/hcte.ufrj.br/2019-1-ects/
Ou ainda, através do link a seguir:
http://bit.ly/Exemplo-simplificado-TrabalhoFinal-ECTS-2019-1
Outra alternativa:
ResponderExcluirQual é a minha Esperança de Pandora?
HCTE-UFRJ
Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS)
1º Período de 2019
Mestrado: Turma 14212 - Doutorado: Turma 14213
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
TÍTULO: FUGA DE CÉREBROS
EDUARDO NAZARETH PAIVA
edu@hcte.ufrj.br
RIO DE JANEIRO
30/06/2019
A QUESTÃO:
Qual é a minha Esperança de Pandora?
A RESPOSTA:
Esta é a minha esperança:
Que a “fuga de cérebros” (interna e externa) no Brasil, também denominada "fuga de talentos", ou ainda, "brain drain", venha a diminuir substancialmente
REFERÊNCIAS:
La migración cualificada en América Latina: una revisión de los abordajes teóricos metodológicos y sus desafíos (Claudia Pedone & Yolanda Alfaro)
Revista PERIPLOS: Revista de Investigación sobre Migraciones - v. 2 n. 1 (2018): LA MIGRACIÓN CUALIFICADA EN AMÉRICA LATINA: NUEVAS PERSPECTIVAS TEÓRICAS-METODOLÓGICAS Y DESAFÍOS - Publicado: 2018-08-25
http://ojs.bce.unb.br/index.php/obmigra_periplos/issue/view/1528/243
Fuga de cerebros, movilidad académica, redes científicas: Perspectivas latinoamericanas
http://flacso.redelivre.org.br/files/2012/08/780.pdf
A “fuga” de cérebros como política de estado: do século 17 aos nossos dias - João Melato | Revista Opera - janeiro 17, 2019 - https://revistaopera.com.br/2019/01/17/a-fuga-de-cerebros-como-politica-de-estado-do-seculo-17-aos-nossos-dias/
'Fuga de cérebros' é maior na América Latina, diz estudo
- Yolanda Valery 22 junho 2009 , de Caracas, para a BBC Mundo - https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2009/06/090622_braindrain_pu
Fuga de cérebros e baixa fecundidade indicam fraqueza permanente da economia - Analistas falam no conceito de histerese e citam ainda desemprego, desalento e ociosidade nas empresas - https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/06/fuga-de-cerebros-e-baixa-fertilidade-podem-indicar-fraqueza-permanente-da-economia.shtml
Corte em pesquisa amplia fuga de cérebros do país, diz especialista - 10 de abril de 2019, 12:39 h Atualizado em 18 de maio de 2019, 01:56 - https://www.brasil247.com/brasil/corte-em-pesquisa-amplia-fuga-de-cerebros-do-pais-diz-especialista
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Qual é a minha esperança de Pandora?
ResponderExcluirO livro A esperança de Pandora de Bruno Latour nasce de uma pergunta feita por um amigo cientista de Latour. Você acredita na Humanidade? É esse o fio condutor ou a trilha no meio de vales e pântanos que Latour vai à busca suas respostas. Do estudo do solo na região amazônica do Brasil até os experimentos de Pasteur, o autor, ora enfadonho, ora esclarecedor, nos leva para dentro da caixa de demônios da Pandora.
“Outro modo de expressar isso é afirmar que os modernistas e os pós-modernistas, em todos os seus esforços críticos, deixaram a crença, o centro intocável de suas corajosas empresas, intactas. Eles acreditam na crença. Acreditam que as pessoas acreditam ingenuamente. Trata-se, pois, de duas formas de agnosticismo. O primeiro, tão caro ao coração dos críticos, consiste numa recusa seletiva a crer no conteúdo da crença – usualmente Deus; mais geralmente, os fetichismos e coisas como saligramas; mais recentemente, cultura popular; e enfim os próprios fatos científicos”. Capítulo 9 – A ligeira surpresa da Ação. Página 326. Latour faz críticas contundentes aos pós-modernistas e aos iconoclastas que tem suas “crenças” na desconstrução de crenças, fatos e fetiches alheios.
Atualmente vivemos na pós-modernidade e de acordo com Jean François Lyotard (1924 - 1998), um dos mais importantes filósofos a conceituar a pós-modernidade, esta pode ser claramente exemplificada como a total falência das ideias tidas como certas e verdadeiras em outrora pelos pensadores modernos. A pós-modernidade questiona as grandes utopias e antigas certezas que antes eram defendidas pelos iluministas. Desta forma, passa a considerar tudo como um conjunto de meras hipóteses ou especulações.
A desconstrução que a pós-modernidade nos joga é um abismo de almas e de incertezas e infelicidades. As metaverdades são questionadas e tudo passou a ser relativizado. Latour faz sua intricada crítica no capítulo 9 ao afirmar que a crença dos modernistas e pós-modernistas é crer ingenuamente na crença ingênua dos outros. Entre os demônios que saíram da caixa de Pandora, talvez esse tenha sido o pai de todos. O maior e mais feroz demônio da caixa já liberto.
Além disso, fatos científicos são relativizados e as verdades científicas são questionadas. Com advento das redes sociais, que deram vozes as aldeias, campanhas antivacinas ou movimentos de terraplanismo ganharam adeptos nas mais varias camadas sociais. O terraplanismo é ápice da relativização que o demônio da pós-modernidade nos propõe.
O saber é questionado por personagens odiosos e por governos que vê na educação, no saber e na ciência “fetiches inimigos” e que precisam ser destruídos a todo custo. Grupos se radicalizam e o debate de ideias é rapidamente substituído por brados de guerra, opiniões pasteurizadas, acusações e mentiras – as fakenews –. Neste jogo a verdade e razão sãos as primeiras a serem assassinadas pelos iconoclastas do nosso tempo.
Diante do que foi exposto, fico com as palavras finais de Latour: “Você acredita na realidade?”, estaremos todos desarmados, em trajes civis, uma vez que a tarefa de inventar o coletivo é tão formidável que torna as outras guerras irrisórias – inclusive, é claro, as guerras na ciência.” Conclusão. Página 355. As saídas para os problemas dos humanos e também dos não humanos serão sempre coletivas. O que me deixa sem esperança no atual quadro do nosso país. O nosso país era um país de agressivo-passivos, agora deixou o passivo para trás e ficou só com o agressivo. Some-se a isso o fato de que o sentimento básico da sociedade hoje é o ressentimento e nisso temos a nossa desgraça atual. Quanto mais o Brasil mergulha na dissolução mais os grupos sociais parecem almejar em primeiro lugar punir o grupo social que ainda lhe parece mais privilegiado que o dele. Ninguém mais sonha, ninguém almeja a grandeza, o desenvolvimento, a igualdade, a justiça. Nada disso parece mais ser possível para nós. É um demônio da caixa de Pandora, um estado de espírito incrivelmente triste que eu nunca pensei ver em nosso país.
HCTE-UFRJ
ResponderExcluirPrograma de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS)
1º Período de 2019
Mestrado: Turma 14212 - Doutorado: Turma 14213
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
A QUESTÃO:
Qual é a minha Esperança de Pandora?
A RESPOSTA:
Esta é a minha esperança:
Que a educação brasileira seja vista como um sistema de referência para outros países.
O Brasil é um país continental e seus problemas são compatíveis com o seu tamanho. A educação não foge a essa regra. Atualmente o Brasil ocupa o 53º lugar, entre os 65 países avaliados pelo (PISA). Problemas como mais de 700 mil crianças ainda fora da escola e o analfabetismo funcional, ainda fazem parte de nossa realidade, ou ainda, 34% dos alunos que chegam ao 5º ano de escolarização ainda não conseguem ler.
Seria um problema de nossas crianças, que não conseguem compreender o que está sendo ensinado? Ou seria um problema um pouco mais complexo, como os objetivos dos políticos que não estão em concordância com as necessidades da sociedade. Teríamos nós aqui, um problema citado por Cálicles (LATOUR, 2001), ao afirmar aquele que detém o poder deve submeter os menos providos aos seus desejos ou vontades?
Um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2003, que projetam conclusões sobre esse assunto. Observa-se um salto de 21%, em 1940, para 86%, em 1998, do número de alunos matriculados no Ensino Médio. Podemos observar que, inicialmente, a escola era para poucos e que, no final do século, há uma massificação do acesso ao ensino fundamental e médio. Entretanto, a qualidade do ensino não acompanhou esse aumento. Talvez porque, com o aumento do número de matrículas, se consiga maior volume de dinheiro para o seu município. Dessa forma, qual a necessidade de se melhorar a qualidade? Consequência?? A perda de nível no ensino público.
Os resultados apontados por “Eles – políticos”, exaltam a redução da taxa de analfabetismo (apesar de atualmente os índices ainda serem altos).
Porém, qual seria o modelo de educação adequada?
Na Grécia antiga é que se atribui a criação da educação formal, com o descobrimento dos valores formais, colocando o home no desenvolvimento da sua personalidade, conhecimento da razão, inteligência crítica, liberdade individual e política.
Olhando ainda para antiguidade, não podemos deixar de citar duas cidades que se constituíram como exemplos de organização e educação, Esparta e Atenas. Esparta era reconhecida pelo seu caráter militar, por isso, o seu modelo de educação era paltado na disciplina rígida, estimulação à competição, autoritarismo, códigos de conduta e exigência extrema de desempenho, entre outras. Por outro lado, Atenas objetivava o conhecimento, o exercício pela palavra (retórica e a polêmica). A partir da educação Ateniense é que se originam os sofistas, mestres da retórica e da oratória, eles ensinavam a arte das palavras para que seus alunos fossem capazes de construir argumentos vitoriosos na arena política. Em contraponto aos Sofistas tem-se também, nesse quadro o filósofo Sócrates propunha ensinar a pensar – mais do que ensinar a falar - através de perguntas cujas respostas dependiam de uma análise lógica e não simplesmente da mera retórica. Ambos contribuíram para a educação contemporânea através da valorização da experiência e do conhecimento prévio do aluno enquanto estratégias que se tornaram muito relevantes para o sucesso na aprendizagem do aluno na contemporaneidade.
Portanto, nossa origem educacional foi pautada em rigor, disciplina, retórica e maiêutica, enfim, uma busca por um cidadão melhor. O que se perdeu?
Atualmente para que ocorra uma educação significativa, ou melhor, uma democratização do ensino fundamental e médio, somente poderá acontecer a partir de uma melhora da qualidade. Tendo em vista que a disseminação falseia a verdade educacional, ou seja, a massificação do ensino vem acompanhada pela perda de virtude.
Qual é a minha Esperança de Pandora?
ResponderExcluirProfessor: Eduardo Nazareth Paiva
TÍTULO: “Ciência escolar a serviço da sociedade na construção de um mundo melhor”
LUCIANO ROBERTO PADILHA DE ANDRADE
lucpad2013@gmail.com
RIO DE JANEIRO- 07 – 07 – 2019
A ciência contribui para a sociedade a medida em que apresenta soluções para problemas de saúde, alimentação, meio ambiente, tecnologia, energia e outros, mais é preciso que tenha um impacto na rotina da vida da população, em especial os mais pobres, seja qual for a área do conhecimento. A medida que a ciência responde questionamentos da sociedade como um todo, ela se torna capaz de reduzir as desigualdades e constrói interações entre culturas e povos.
A medida que a ciência for parte do cotidiano da sociedade fica facilitado o processo de desenvolvimento sustentável, a união da trinca ciência –Sociedade-Tecnologia melhora os resultados do desenvolvimento sustentável, pois o envolvimento dos cidadãos nos processos científicos, ocorre à medida que as ferramentas necessárias para criação de uma sociedade Sustentável ocorre das intervenções da ciência na rotina da vida do cidadão tornando pessoas mais conscientes de suas obrigações na construção de um mundo melhor.
Mais para que minha esperança de Pandora aconteça o poder público precisa desenvolver políticas que promovam o desenvolvimento científico a serviço do Povo, investimento em educação para promoção da comunidade científica, o que neste começo de 2019 tivemos um retrocesso neste processo.
A preparação de cidadãos em nossa sociedade com competências e habilidades do desenvolvimento sustentável passa pela educação básica forte e, interdisciplinar. Este processo implica na quebra de paradigmas na construção do conhecimento integrado, onde se apresenta a mudança curricular da formação das escolas, e preciso criar mais projetos integradores propondo soluções regionais para os diversos problemas da sociedade local.
Minha esperança de pandora passa pela construção de uma nova visão da educação escolar, onde alunos futuros cidadãos, precisam experimentar aplicações dos conceitos da educação tradicional no campo da ciência a serviço da sociedade, devem na realidade produzir conhecimento na escola com objetivo focado no desenvolvimento e crescimento da sociedade onde vivem, promovendo transformações capazes de mudar a vida das pessoas através da educação.
A educação Brasileira precisa da interação entre a sociedade e a escola na construção de um modelo de currículo amparado na realidade da região aonde a escola está inserida, para construção de uma cultura sustentável passa pelos desafios ambientais, que na escola tradicional fazem parte apenas da sociedade não sofrendo qualquer intervenção da escola, alunos desinformados, sem participação efetiva nas decisões ambientais da região, acaba com todas as perspectivas de desenvolvimento futuro.
Dentro da minha esperança de pandora nasce a cultura ambiental dentro das escolas, processo inovador, que consiste em ações de ensino ancorados na produção cientifica, transformando as salas de aula em um espaço de apresentação e aplicação dos conceitos ambientais pertinentes a cultura local, a sociedade escolar trabalha os problemas ambientais provocando a construção do conhecimento a serviço da sociedade.
A medida que as crianças estudarem os conceitos de forma científica, fazendo as devidas interações com a realidade local, a educação escolar passa fazer sentido, estudos comprovam que as crianças apresentam melhor capacidade de assimilar os conceitos científicos à medida que colocam em prática imediatamente, em processo de formalização do conhecimento.
Finalizando, a minha Esperança de Pandora, recai na necessidade que toda a comunidade escolar tenha de redescobrir e valorizar todos os conhecimentos que existe na sociedade na qual a escola esteja inserida, de forma a preparar as futuras gerações para os desafios ambientais e culturais que possam atrapalhar o desenvolvimento coletivo, a escola como um espaço transformador de pessoas para o desenvolvimento de um mundo melhor.
Já postado no drive!
ResponderExcluirTRABALHO DO CARLOS ALBERTO PAIXÃO
ResponderExcluirMINHA ESPERANÇA DE PANDORA
Por Carlos A. Paixão, ECTS/HCTE/2019.1
Nasci no seio de uma família pobre, mas não miserável, com pai e mãe estudaram até a terceira série do antigo ginasial, que corresponde hoje à terceira série do Ensino Fundamental, portanto, não eram analfabetos, mas liam e escreviam precariamente. Meu pai era pescador e minha mãe, simples doméstica. Meu pai não conheceu seu pai e os pais de minha mãe eram analfabetos clássicos, não sabiam escrever os próprios nomes. Assim, o cenário em termos de educação era o mais precário possível. Seria difícil imaginar que, desse meio familiar, dois filhos chegariam à universidade federal.
Embora não tendo condições favoráveis para estudarmos, nossos pais sempre nos motivaram a estudar e cobravam contundentemente, muitas das vezes nos ameaçam se tirássemos notas baixas. Exagero? De certo. Mas, era assim. E as ameaças eram sérias. Não eram simples bravatas de pais aborrecidos. Não faltava o básico para estudarmos: lápis, caderno, uniforme da escola(pública) limpo e passado, pasta escolar. Ainda ecoa em meus ouvidos a seguinte sentença: “Vocês não trabalham, não pagam contas, têm comida e roupa lavada todos os dias, não têm com o que se preocuparem!! Portanto, a única obrigação de vocês é estudar!!”
Assim, pelo medo e pelo gosto eu e meus dois irmãos estudamos muito!! Éramos as referências dentro de nossas respectivas classes, cada um em seu tempo, pois havia uma diferença de exatos dois anos entre nossas idades. Cada um de nós estava acima da média, em sua classe. Assim crescemos....
Não fiz cursinho pré-vestbular. Passei para o curso de Matemática da Universidade Federal Fluminense, que naquela época possuía a fama de ser um dos programas mais difíceis de ser concluído, dentro do ramo. Meu irmão mais velho havia passado para o curso de engenharia elétrica da mesma universidade, dois anos antes. Meu irmão mais novo optou por fazer o curso de eletrônica no Cefet. Também foi aprovado de primeira.
Portanto, posso afirmar que, se não fosse a Escola Pública, a Universidade Pública e outras Instituições Públicas de Ensino não teríamos dado um “up-grade” em nossas vidas e, por conseguinte, na família como um todo. O Ensino Público com todas as suas agruras foi, naquela época, um veículo de nossa derradeira ascensão cultural e consequente financeira e social. Por tudo isso, acredito no Ensino Público, na Escola Pública. Se sou o que sou devo, sem dúvida, à Escola Pública.
Então, quando leio notícias sobre corte de verbas para a Educação, e estrangulamentos de toda sorte, penso que os Governantes de hoje e do passado não compreenderam e não compreendem o verdadeiro poder da Educação. O poder transformador de realidades desfavorecidas, o poder ascensor de uma família e, por extensão, de uma comunidade, de uma região, de um país.
Das práticas sociais, a que pode oferecer maior retorno em termos de transformações sociais e, consequentemente financeira , é a Educação. Isso já é mais que sabido. Mas, mesmo assim, Governo após Governo ignora esse dado. Minha esperança, aquela guardada no fundo da caixa(torácica) é que algum dia um Governante eleja como real prioridade a Educação, que faça dessa o carro-chefe de sua administração. Aí, experimentaremos: crescimentos em todos os setores da Economia, decrescimento da violência, menor despesa com saúde primária, etc. Foi assim com os “tigres asiáticos”. Tenho esperança( guardada, porém forte) que pode ser assim conosco, que ainda vivenciaremos essa fase!!